segunda-feira, 18 de maio de 2026

Moçambique

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AB6 - Nova Freixo

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Vexiloide de Alexandre Magno

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O meu amigo de Marrupa

Na rota do meu amigo Apolo com o vexilóide de Alexandre Magno e o meu amigo Leopardo

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Eu e o Gold, amigos para a eternidade

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PV-2. Havia destes no Niassa

Caminhei para Moçambique desde a rua Newton, em Lisboa, após a minha entrada para a Força Aérea. Foram 52 meses de sonho.

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No cabeçalho, Ventor e Goldfinger foram dois amigos inseparáveis mas o tempo foi curto. Foram seis meses e meio de uma amizade total. O Nord-Atlas, na descolagem, fez duas passagens baixas só para olharmos o Goldfinger, sentado no chão, rodando a cabeça a acompanhar o avião. Ele quando me viu transportar as duas malas para o avião ficou desnorteado e sabia que as nossas caminhadas acabavam ali. Ainda hoje, mais de meio século depois, o espaço dele continua ocupado no meu peito e no meu cérebro. Foi um verdadeiro amigo que até me salvou a vida ao evitar que uma mamba negra (black mamba) me picasse. O Goldfinger só morrerá quando eu morrer também.

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Boa Páscoa de 2012

 Quico e Ventor

Passaram 44 anos!

Depois de 44 Páscoas, aqui estou eu a desejar-vos uma Boa Páscoa de 2012 e, com a esperança de que as amêndoas não vos faltem.

 


Vexiloide de Alexandre Magno, numa guerra de 13 anos, sem retorno

 
As amêndoas que me recordam Marrupa - 1968
 


Malmequer, o Vexiloide do Ventor, sobre cujas pétalas, vou sonhando

Deixo-vos aqui as amênddoas desta Páscoa de 2012, entre os vexiloides de Alexandre Magno e do Ventor, duas imagens que bem podemos considerar a representação do meu amigo Apolo, a minha (nossa, espero eu) bela companhia africana.


Marrupa, em 1968. Aos que partiram e aos que ficaram, eu nunca vos esquecerei 

Boas Festas para todos, especialmente, aqueles que passaram pelo Niassa - Nova Freixo, Marrupa e Vila cabral, um triâgulo, nas nossas vidas.

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

sábado, 9 de maio de 2026

Um Dia Depois

 Quico e Ventor

... mais flores, e não só, nos caminhos do Ventor!

O Ventor tem o Blog "Flores da Vida". Ele uma vez quis que fosse eu a tratar das Flores da Vida mas, se fosse assim, eu teria de tomar conta daqueles blogs todos e dos fotoblogs e, por isso, ficaram por conta dele. Mas depois de eu ouvir a minha dona sobre este fim de semana deles, hoje também vos vou falar aqui de flores.

Desde 6ª feira, à noite, que o Ventor voltou a conviver com alguns de seus amigos de outros tempos, mas eu sei que os que andam por outras paragens também terão estado presentes. Isto é sempre assim!


Os fofos de Belas

No domingo de manhã, para variar, deram um saltinho a Belas para atacar os Fofos! O Ventor comeu os seus dois fofos porque a minha Dona recordou-lhe que, em Belas, ainda existem os fofos. Os fofos de Belas são uma guloseima saloia. Eu já vi o Ventor criticar o Seabra por levar fofos de Belas para os seus adversários «bolísticos» na televisão. Ele disse que eu ouvi: "aquele não percebe nada de bolos! Levou-lhes os fofos esquecendo os travesseiros e as queijadas de Sintra. Será que os fofos foram mais fáceis de envenenar? Eu cá não os comia"!

 Depois saíram de Belas magicando onde iriam almoçar. Sesimbra? Setúbal? Isto alvitrou a minha Dona. Mas deixaram-se levar até que rumaram a Mafra. O Checa encontrava-se por ali e nada melhor que mais um encontro! Entretanto combinaram encontrar-se em Mafra para o almoço, porque as enguias que o Checa iria devorar, algures, por qualquer razão, refugiaram-se nas calendas dos rios, safando-se assim aquelas "belas flexíveis".

Se calhar valia mais um ensopado de iroses ali para os lados de Marinhais.



A ponte romana de Cheleiros

No caminho para Mafra, o Ventor alvitrou pararem no lugar de Cheleiros para fotografarem a ponte romana.

Era uma pequena caminhada que o Ventor andava para fazer há muito tempo e, desta vez, desceu ao rio, mais o Alex, atravessaram a ponte como romanos e fotografaram tudo em volta sob o olhar ridente do nossso amigo Apolo.

A ponte romana de Cheleiros e a beleza da margem esquerda daquela ribeira onde os patos se banhavam, são belezas a reter. Foi ali, na sua margem esquerda e encosta acima, que, mais uma vez  a Primavera dialogou com o Ventor.



Convento de Mafra

Depois seguiram até Mafra e, pela primeira vez, o Ventor entrou naquela casa grande do Senhor da Esfera ... aquela grande mansão, preparada por D. João V que, talvez, por castigo, foi colocado em frente, sempre a observar a sua obra.

Naquela mansão do Senhor da Esfera, o Ventor fotografou tudo sem utilizar o flash e, assim, foi observando as capelas daquela obra gigante.

Encontraram-se com o Checa, foram almoçar ali perto e, depois, o Checa quis que o Ventor e seus companheiros de caminhada tivessem mais um encontro com a Primavera na quinta do seu amigo Martinho.


Pessegueiro florido

Mal o Ventor saíu do carro, sentiu logo o cheiro agradável da "Sempre Perfumada", como o Ventor lhe chama. Como sempre, a Primavera, linda como é, apareceu, ao Ventor, bem cheirosa.

O Ventor disse-me, a sonhar, como a Primavera lhe apareceu na Quinta do amigo do Checa. Ela caminhava entre as pereiras, as ameixieiras, os pessegueiros, .... mais bela que nunca.



Flores da amendoeira

Caminhava descalça com uns aros feitos de flores de pessegueiro, de flores de pereira, de flores de ameixieira e outras, em cada perna, sobre os tornozelos;

Trazia na cabeça, sobre os cabelos dourados, uma áurea de flores feita com flores de pessegueiro na testa, flores de pereira do lado esquerdo da cabeça e de ameixieira do lado direito. Atrás rematava com flores e folhas de laranjeira;

Tinha sobre cada seio um belo ciclo de flores constituído apenas por malmequeres;

Sobre o umbigo trazia uma bela rosa;

Nos pulsos trazia umas pulseiras apenas constituídas por margaridas;

Da cinta até às coxas, vinha enfeitada com um mini-saiote feito com todas as flores onde predominavam as rosas e uma espécie de cinto que o segurava era feito apenas com flores de amendoeiras, como aquelas que o Alex mandara do Algarve por altura do Carnaval;

A  fivela do cinto era feita de diamantes e o diamante central reflectia a cara bonacheirona do nosso amigo Apolo que nos observava.


Flor do marmeleiro

Foi assim que o Ventor me descreveu o modo como a Primavera se apresentou.

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

domingo, 30 de junho de 2024

AB6, um marco nas nossas vidas

  Ventor 30.06.24

Um Marco, na vida de todos que cheiraram aquela terra molhada, nos calores de Moçambique, nos calores de África!


O Hangar do AB6, o meu primeiro hotel no AB6, em 31 de Janeiro de 1968. Um por todos e todos por um! Homens, aviões, bombas, melgas, percevejos e, ... tudo o mais 

Uns construíram esse marco desde a recruta, depois nos seus vários cursos, na Base Aérea 2, (o Curso de Telecomunicações, no meu caso, do Coutinho, do Checa e do LM) mas, outros, só o passaram a construir desde Moçambique. Desde a Ota, eu e o "Louco da Malásia" que O Senhor da Esfera já lá tem (memórias inesquecíveis) e, desde Moçambique, mais precisamente, no Triângulo do Niassa, Nova Freixo, Marrupa, Vila Cabral, nós e o nosso amigo Checa, o Alex e tantos outros; hoje, alguns caminhando ao lado do Senhor da Esfera, outros à espera de um abraço e outros perdidos por aí, a pensar nas 2M, nas Laurentinas, nas Manicas, ....

Podemos esquecer tudo, mas não as caras dos nossos Companheiros de Guerra, pelo menos, os mais chegados. Não as caras de hoje, porque nos perdemos na caminhada do tempo, mas as caras de então. Tal como um daqueles exércitos chineses de bonecos, nunca mudamos porque paramos no tempo.


Era uma vez em Nova Freixo (actual Cuamba) ... da esquerda para a direita: Coutinho, Fox, LM e Checa

Alguns conhecemos-nos desde a recruta, outros conhecemos-nos pelas várias Direcções da Força Aérea, em Lisboa, outros pelo G.D.A.C.I. - Grupo de Detecção, Alerta e Conduta da Intercepção, outros pelo Estado Maior, etç. Depois vieram as mobilizações para as três frentes de África - Guiné, Angola, Moçambique. O espalhanço era generalizado. Por aqueles cantos de África se refizeram velhas amizades e se realizaram outras novas. Enquanto na Ota (Base Aérea 2), uns eram lançados nos mergulhos das recrutas, outros caminhavam para as aulas nos velhos Hangares, com livros debaixo dos braços, onde se preparavam para as diversas frentes de então, os homens que iriam substituir outros ou alargar os quadros das áreas de guerra. Em cada uma das frentes se reviam velhos companheiros que se cruzaram pela Ota, pelas Avenidas de Lisboa, nas viagens dos nossos "Over-There".

Com a nossa chegada a Nova Freixo, uns já se conheciam, outros passaram a conhecer-se. Eu, dois meses depois da chegada, avancei voluntáriamente para Marrupa, onde permaneci oito meses e meio, cercado num quadrado de cerca de 200 metros de lado, juntamente com o Louco da Malásia, o Checa, o Melo, o Coutinho, na maior parte desse tempo.


Um dia que jamais esquecerei. O Pelão está a ver se os meninos comem a sopa! Pensava eu que esta foto era da Páscoa de 1968, mas na Páscoa ou fora dela, em Marrupa, muitas vezes, era assim

Mas a mim, nunca houve arame farpado que me detivesse. As lânguas de Marrupa ainda hoje choram por mim, como eu choro por elas porque, ninguém, de certeza, gostou mais delas do que eu. Ali, seria como um velho Mercedes que não havia quilómetros que detivessem. Estava autorizado pelo nosso Comandante a fazer lá a minha comissão toda se quisesse mas, eu tinha Vila Cabral na mira e, assim, fui saltando de arame farpado em arame farpado. Os planaltos do Niassa eram ideais para mim, para realizar as minhas grandes caminhadas. Sempre me senti seguro fora do arame farpado, caminhando nas lânguas armado ou nas tabancas, apenas com a arma da amizade. Cheguei a dizer ao nosso Comandante Araújo, depois dos raspanetes que ele me dava que, para mim, caminhar nas tabancas de África, desarmado, era como caminhar nas minhas aldeias do norte. A minha gente, nas aldeias era branca, ali, os filhos da Mãe Negra eram negros mas, para mim, eram gente e valiam o mesmo!

Ele retorquia que não eram as pessoas na sua generalidade que nos queriam mal mas no meio delas poderiam aparecer aqueles que não nos gramavam e, para além disso, atravessar a pista de Nova Freixo de noite, desarmado, era sempre um perigo devido à presença dos nossos amigos "peludos". Eu sabia que era, mas não ligava! As ameaças do nosso Comandante não passavam disso. Ele era (será sempre) um homem cinco estrelas!


Era uma vez em Vila Cabral (actual Lichinga). Aos que permanecemos e aos que partiram, continuaremos juntos. A todos vós, nunca vos esquecerei 

Aliás, todos os que caminharam, pelo Niassa, a meu lado, eram cinco estrelas. A nossa amizade sobrepunha-se a tudo. Uma amizade que ainda hoje perdura. Foi por essa velha amizade que existiram Peniche, Golegã, Alfundão, Mafra, Ria e outras ocasiões. É certamente por essa velha amizade que existe esse Grupo AB6, é por essa velha amizade, que se preparam os almoços que têm como objectivo olharmos-nos, mais uma vez que seja, olhos nos olhos. É em nome dessa amizade que se juntam dois ou três, nos copos, que há vindimas, que as empresas de telecomunicações vão enriquecendo e é, em nome dessa velha amizade, que estou aqui a penicar no teclado, relembrando a todos que continuamos. Cada vez menos, mas continuamos!

Por isso, a todos do Grupo AB6, aos que conheço e aos que não conheço, deixo aqui o meu abraço. Espero que este dia de hoje, o dia do almoço de todos os que quiseram e puderam ir, tenha sido mais um MARCO nas vossas (nossas) caminhadas.

Um abraço, a todos os Duros do Niassa.


Que a Luz perdure para sempre, nos trilhos da nossa existência

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

segunda-feira, 6 de maio de 2024

A História de Lumi

  Ventor 06.05.24

Lumi

Este podia ser o Lumi, um búfalo de cuja história o Ventor dá apenas um cheirinho. Era um búfalo que caminhava entre a serra de Mecula e o rio Lugenda.

Esta é a sua história.

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

domingo, 28 de abril de 2024

Base Aéra 2

  Ventor 28.04.24

E lá cheguei eu e os outros à Base Aérea 2 na Ota. Fomos apresentar a guia de marcha e em fila indiana. Eu fui o número 68 e os alentejanos que se encontravam atrás de mim tentaram empurrar um alentejano para a frente para ser o 68 e eu ser o 69. Pobrezitos! Se calhar achavam que eu tinha nascido num qualquer subúrbio de uma cidade alentejana. Mas enganaram-se porque eu nasci na serra de Soajo e habituei-me a olhar as coisas de cima para baixo.

Porém, esse alentejano que iria ser empurrado para a minha frente, era um bom rapaz e fomos bons amigos. Poseram-lhe a alcunha de Chaparro e essa é a razão porque agora não recordo o nome dele. Mas ainda nos vimos pouco tempo antes de ele falecer, há cerca de dois, três anos. Nem imaginam as chicotadas que apanhamos quando recebemos estas más notícias.

Recebemos as fardas e o calçado e só tive sorte com um par de botas. O resto foi tudo numa espécie de feira de trocas baldrocas. E lá iniciamos a nossa recruta a 1ª de 66.

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

Quase de abalada

 Ventor 28.04.24

Agora sim! África à Vista. Estava na DSCTA e fui mobilizado a 1ª vez para a Guiné, a Sub-Região Aérea da Guiné e Cabo Verde. Mas toda a gente sabia que eu queri era ser mobilizado para Moçambique. Chegou o Cap. Mota Santos com a mensagem na mão, muito triste porque não era para onde eu queria. Fui desmobilizado e algum tempo depois voltei a ser mobilizado para a Base Aérea 9, em Luanda, Angola. O Cap. Mota Santos já vinha mis satisfeito porque Luanda seria melhor para mim.

Voltei a ser desmobilizado e mais tarde, fim de Novembro, princípios de Dezembro, voltei a ser mobilizado para Moçambique.

Agora é que é! Eu que estudava tudo o que se relacionava com Moçambique, estava preparado para colocar pés no ar ou no mar e ala que se faz tarde.

E pronto! Estou quase a colocar os pés em Moçambique e onde exactamente eu queria - o Niassa. Daqui em diante vou contar-vos a minha história por Moçambique e pela mãe Negra. Mama Sumé!

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

Durante o tempo da Ota

  Ventor 28.04.24

Fizemos uma recruta terrível no inverno de 1966. Não vale a pena falar aqui da recruta, do curso de telecomunicações, do estágio e de todas as peripécias relacionadas com esses 14 meses ou à volta disso. Só isso dava para escrever uma bíblia do meu mau e bom comportamento como me dizia o Major Tomás.

Depois de tudo isso ter acabado, escolhemos os nosso destinos. O meu destino foi o Grupo GDACI em Monsanto, pois havia três. Monsanto, em Lisboa, Montejunto, na mesma serra, na serra da Estrela e outro lá pelo Porto.

Do GDACI (Grupo de Detecção, Alerta e Conduta de Intersecção), éramos distribuídos pelo Estado Maior da Força Aérea e pelas várias Direcções da Força Aérea. A mim tocou-me a DSCTA (Direcção dos Serviços de Comunicações e Tráfego Aéreo) na Av. António Augusto de Aguiar, em Lisboa. Por ali andei cerca de 8 meses e utilizava um Tele-impressora. Quer isso dizer que quando fui mobilizado para Moçambique já estava quase esquecido do código Morse.

Mas quando parti, deixei nessa direcção grandes amigos. Os, à altura, major Mota Martins, o major Costa, o Cap. Valdaque e outros cujos nomes perdi nas brumas do tempo.

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

Foram 52 meses de Força Aérea

 Ventor 28.04.24

Foram 52 meses da minha caminhada na Força Aérea Portuguesa. Ia fazer 20 anos.

Estudei, em contra relógio, como maior, num externato chamado Eça de Queiroz, onde joje fica o edifício sede da Caixa Gera de Depósitos, em Lisboa. Ali conheci alguma rapaziada que perdi com o tempo. Havia um rapaz que tinha desaparecido por não se apresentar às aulas. Enfim, disse para os meus botões: deve ter desistido.

Cerca de um ano e tal depois, encontrei-o na Av. Fontes Pereira de Melo, em Lisboa e perguntei-lhe: porque desististe? E que raio de farda é essa que trazes vestida?

Ele disse-me que tinha ido para a Força Aérea e que foi tirar um curso de especialistas na Base Aérea 2, na Ota. Bla, bla, bla, ... despedimo-nos, até sempre. Nunca mais o vi. Mas comecei a magicar na Força Aérea. Ele já estava mobilizado, para África e vestia aquela farda cor café com leite que punha muitas moças malucas.

No mês de novembro de 1965 passei na rua Newton, em Lisboa, onde estava intalado um gabinete de recutamento da Força Aérea. Entrei e fui perguntar como aquilo era. Fui atendido por um Sargento que me explicou o essencial da engrenagem. Disse-lhe: eu faço 20 anos em Janeiro que bem, posso inscrever-me? Pode. Se quiser pode fazê-lo já. A Força Aérea só aceita voluntários.

Também ainda não dei o nome para o exército, quero dizer que estou a transgredir, o que posso fazer? Nada, mas pode esquecer que eles existem, nós tratamos dessa parte.

Inscrevi-me. Recebi instruções para dar o primeiro passo. Fazer um raio X no Chile e entregá-lo lá para a inscrição ser aceite.

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabra

Dia das Inspecções para a FAP

| Ventor 28.04.24

Veio o dia das inspecções, 17 de Janeiro de 1966. À medida que sabiam que eu tinha optado pela Força Aérea, as críticas foram subindo de tom.

Entre os que se opunham, foi a Força Aérea que pagou. Os aviões não prestam, está tudo velho, estão ligados por arames, é muito provável que vás mas já não voltes, etç.

Mas em Monsanto foi o diabo! Debaixo do chão, embrulhados em betão (até nos diziam que aquilo era à prova da bomba atómica). Mas o pior foi o frio! Ficamos em cuecas o dia todo. Só nos vestimos para almoçar e depois para o jantar e ir embora. Havia um tipo do Porto mal dos ouvidos e fizeram-lhe uma lavagem. Gritou perdidamente.

No meu caso, um capitão médico, verificou que eu tinha tido um reumático quando era pequenino mas que não me preocupasse porque aquele nunca mais se repetia. E muitos outros, na inspecção, tiveram uma série de problemas. No fim formamos dois grupos. Um grupo A, pequeno, onde eu pertencia e um grupo B bem maior.

Chegou lá um tenente e uns sargentos que apareceram depois do jantar com umas pastas cheias de papéis e começaram a tirar nabos da púcara. Diz um: "entraram todos juntos e agora vão sair daqui em dois grupos. Um dos grupos vai receber guia de marcha para a Base Aérea 2 e o outro recebe guia de marcha para casa".

"Ora vamos lá ver como isto fica".

Eu comecei logo a pensar qual dos dois grupos iria para a Base Aérea 2. Eu pertencia ao grupo mais pequeno e pelo que se passara com o tipo dos ouvidos esfrangalhados pela cera e outras coisas, concluí que a minha guia de marcha seria para casa. 

Chegou a hora das certezas. "Grupo A, venham receber a guia de marcha para a Base Aérea 2 (Ota). Grupo B, venham receber a guia de marcha para casa.

Eu já me estava a ficar nas tintas mas mal recebi a ordem de marcha para a Ota, percebi logo que eu estava mesmo com muita vontade de ir para a Força Aérea. E fui!

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Faz hoje 55 anos

 Quico e Ventor 01.02.2023

Isso mesmo! Faz hoje 55 anos.

Em 31 de Janeiro de 1968, saímos de Nacala (AB5), manhã muito cedo, apanhar o comboio para Nova Freixo (actual Cuamba). Saímos do AB5 e fomos apanhar o comboio para o AB6 (na velha Nova Freixo).

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AB6

Recebemos ordens para levantar as rações de combate porque, se não o fizéssemos, iríamos ter uma viagem com fome. Claro que nós éramos todos rapazes muito abelidosos e era um sonho demasiado bronco passarmos fome num comboio que iria passar por muita estações onde, certamente, haveria sandes e cervejas para nos aguentarmos até ao AB6. Foi realmente um sonho que não fez grande sentido depois de acordados.

Fiz compras na estação de Nampula de coisas que nem imaginava o que seriam. Comprei uma espécie de salgados a pensar que eram bolos e frutas demasiado maduras, intragáveis. Nos calores africanos nem tudo se aproveita. Ninguém comeu e eu levei comer quase para todos pois dos 18, estavam quase todos tesinhos que nem carapaus.

Depois as estações estavam quase todas encavalitadas umas sobre as outras na sua azáfama de trocas e valdrocas, em que entravam e saíam dos comboios tirando coisas, entrando coisas, muitas dessas coisas embrulhadas numa espécie de sacos ou melhor, panos a fazer de sacos, embrulhando-as. Era gente que vivia muito das trocas realizadas através dos comboios. Assim uma espécie do Robert Redford, em África Minha, a meter os dentes dos elefantes no comboio, neste caso, sem sacos nem panos.

E lá chegamos! 

Chegamos à estação de Nova Freixo, cheia de bobinas de cabos rodeadas de capim, onde nos esperava meio de transporte para o Aérodromo. Chegamos esfomeados mas tivemos logo crédito e abertura do bar para comermos umas sanduiches e beber umas cervejas, como se estivéssemos no Wallala do meu amigo Odin.

E assim foi no dia 31 de Janeiro de 1968. As camas estavam situadas no Hangar no meio de aviões, de bombas, de melgas de percevejos, de .... tudo. Era a nossa África, no caso, o nosso Moçambique, o nosso AB6.

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral


domingo, 14 de fevereiro de 2021

Faz hoje 51 anos

 Quico e Ventor 14.02.2021

Faz hoje 51 anos que, pela última vez, me despedi de Nova Freixo (actual Cuamba), no distrito do Niassa, em Moçambique.

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AB6 em Nova Freixo, no Distrito do Niassa Moçambique

Era o fim da minha comissão no Niassa, em Moçambique, já iam 26 meses. O fim da minha comissão e de mais 17 mangas que o nosso comandante prometera que sairíamos logo no primeiro transporte que houvesse para Nampula, mesmo que não fossemos substituídos. O primeiro transporte era o avião que levou a Nova Freixo o General Kaúlza de Arriaga com para-quedistas e acompanhado dum heli-canhão.

Nos últimos dias as coisas começaram a complicar-se e preparava-se um ataque na fronteira com o Malawi a homens da Frelimo que estavam a invadir Moçambique, rumo a Nova Freixo. Eles atravessavam em pirogas pelo lago Chirua. Nós, os felizardos que iríamos partir para Portugal oferecemos-nos voluntários para ficar. Já pela tardinha, com tempo apenas para chegarmos a Nampula com dia, caminhamos para o avião Nord-Atlas que nos transportaria para Nampula, divididos entre o querer partir e o não querer deixar os nossos companheiros numa embrulhada.

O nosso Comandante Araújo disse-me: "sou um homem de palavra. Prometi e vou cumprir. Se não forem substituídos rapidamente eu serei mais um, mais não seja, sei arquivar mensagens. Portanto, ajudarei. Desejo-vos um bom regresso a todos, bem o merecem". Fui o último a entrar no avião. Um Capitão piloto que comandava o avião gritava da porta: "ou vem ou fica"! Ainda alguém me gritou. As medalhas, pá! «Que se lixem as medalhas». Foi assim que eu me despedi de Nova Freixo.

Momentos antes, tinha deixado o Capitão Rita André a chorar no T-6 que pilotava sobre o lago Chirua porque, em nome dos meus 17 companheiros de caminhada, lhe disse que "iríamos ficar mais o tempo que fosse necessário", não os iríamos deixar nas condições que se avizinhavam. 

"Vão rapazes, que Deus vos dê a sorte que todos necessitamos. O Lobo tinha razão, vocês foram dos melhores companheiros que nem imaginava que existissem. Que Deus vos acompanhe e que olhe por nós também."

Dos companheiros que me acompanharam na saída de Nova Freixo, alguns, infelizmente, já morreram, outros ainda andarão por aí. Para eles, os que já foram e os que ainda estão, o meu abraço.

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

sábado, 26 de dezembro de 2020

A fenda africana

 26.12.20    Quico e Ventor 26.12.20

Na África Oriental já está iniciada uma fenda.

Essa fenda está a rachar a África! A conclusão tirada pelos analistas da fenda é que toda aquela região dos Grandes Lagos Africanos vai afundar. Os afluentes que enchem de água o rio Nilo, tais como o rio Azul, o rio Branco, .... vão afundar. Nesse afundamento também afundarão os Massai com os seus gados e os leões que lhe dão caça para tentarem sobreviver. Até as grandes flores do lago Vitória vão afundar! Resumindo: o berço da humanidade que segundo os experts foi colocado pelo Senhor da Esfera no mesmo local irá desaparecer.

Todo aquele cheiro a bebé na África Oriental desaparecerá com o seu afundamento. Nem o cheiro a pó de talco vai sobreviver. Muitos dirão: "quer dizer que estamos tramados"? Nós? Não! os etíopes, os quenianos, os tanzanianos e todos por ali abaixo até ao Zambeze e até sei lá mais onde é que estão tramados. Muitos serão separados mas só se o Sars-Cov-2 os deixar.

Haverá um continente africano mais pequeno, haverá uma ilha e, entre os dois, ficará um mar. E, no final, uns vão querer pertencer à ilha, outros ao continente que restar e ainda haverão aqueles que vão querer viver, tanto do lado da ilha como do continente em palafitas.

A ilha poderá vir a chamar-se Nova Madagáscar e, em volta do novo "mar africano" serão construídas novas aldeias em novas praias: "aldeias palafitas".

Também desaparecerão os novos descendentes do general Norton e do Kitchner, os conquistadores do Cairo até Cartum um e do Cairo ao Cabo o outro.


O Leste de África - zona de afundamento

E comecei eu a pensar nisso tudo quando tomei conhecimento que a Fenda Africana iria dividir a África em três Áreas geográficas. 

Um Continente africano mais pequeno;

Uma ilha, não sei de que tamanho;

Um mar de tamanho desconhecido.

Como já existe o Mar Vermelho a norte do Corno de África, eu pensei em deixar, já aqui, o nome do novo mar africano. Será chamado Mar Azul, pois claro!

Comecei a ler o artigo com toda a minha curiosidade sobre toda a África e vi-me a pensar nos meus amigos Massai e todos os outros. Uma voz vinda dos confins do Universo animou-me! «Nada de grave, Ventor! Não te apoquentes. Daqui por 10 milhões de anos, ou mais, já tudo isso estará esquecido. Daqui por 10 milhões de anos podemos não ter as tuas belezas do Lago Niassa e os outros mas poderemos ter um mar genuinamente africano a enrolar na areia e a bater no coração da África. Mas há coisas que os experts não te contam mas eu te digo: nessa altura e se tu continuares a caminhar sobre o teu Planeta Azul, como tens feito pelos milénios fora, irás ver tudo esventrado, quem sabe, com os pólos na linha do Equador e com o Equador na linha dos pólos.

Até poderás ver nesse novo mar, leões de barbatanas e hienas transformadas em sereias. Mas nunca esquecerás essas tuas amigas "trombeteiras" de Nova Freixo.

Aguarda Ventor. Já viste fendas proporcionalmente maiores que as do Rift Valey»!

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

Moçambique

AB6 - Nova Freixo Vexiloide de Alexandre Magno O meu amigo de Marrupa Na rota do meu amigo Apolo...