segunda-feira, 18 de maio de 2026

Moçambique

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AB6 - Nova Freixo

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Vexiloide de Alexandre Magno

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O meu amigo de Marrupa

Na rota do meu amigo Apolo com o vexilóide de Alexandre Magno e o meu amigo Leopardo

Belos animais, as chitas

Caminhei para Moçambique desde a rua Newton, em Lisboa, após a minha entrada para a Força Aérea. Foram 52 meses de sonhos.

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No cabeçalho, uma belíssima chita vestida com o negro da noite africana. Foram lindas as minhas caminhadas por Moçambique

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quarta-feira, 13 de maio de 2026

A fenda africana

 26.12.20    Quico e Ventor

Na África Oriental já está iniciada uma fenda.

Essa fenda está a rachar a África! A conclusão tirada pelos analistas da fenda é que toda aquela região dos Grandes Lagos Africanos vai afundar. Os afluentes que enchem de água o rio Nilo, tais como o rio Azul, o rio Branco, .... vão afundar. Nesse afundamento também afundarão os Massai com os seus gados e os leões que lhe dão caça para tentarem sobreviver. Até as grandes flores do lago Vitória vão afundar! Resumindo: o berço da humanidade que segundo os experts foi colocado pelo Senhor da Esfera no mesmo local irá desaparecer.

Todo aquele cheiro a bebé na África Oriental desaparecerá com o seu afundamento. Nem o cheiro a pó de talco vai sobreviver. Muitos dirão: "quer dizer que estamos tramados"? Nós? Não! os etíopes, os quenianos, os tanzanianos e todos por ali abaixo até ao Zambeze e até sei lá mais onde é que estão tramados. Muitos serão separados mas só se o Sars-Cov-2 os deixar.

Haverá um continente africano mais pequeno, haverá uma ilha e, entre os dois, ficará um mar. E, no final, uns vão querer pertencer à ilha, outros ao continente que restar e ainda haverão aqueles que vão querer viver, tanto do lado da ilha como do continente em palafitas.

A ilha poderá vir a chamar-se Nova Madagáscar e, em volta do novo "mar africano" serão construídas novas aldeias em novas praias: "aldeias palafitas".

Também desaparecerão os novos descendentes do general Norton e do Kitchner, os conquistadores do Cairo até Cartum um e do Cairo ao Cabo o outro.


O Leste de África - zona de afundamento

E comecei eu a pensar nisso tudo quando tomei conhecimento que a Fenda Africana iria dividir a África em três Áreas geográficas. 

Um Continente africano mais pequeno;

Uma ilha, não sei de que tamanho;

Um mar de tamanho desconhecido.

Como já existe o Mar Vermelho a norte do Corno de África, eu pensei em deixar, já aqui, o nome do novo mar africano. Será chamado Mar Azul, pois claro!

Comecei a ler o artigo com toda a minha curiosidade sobre toda a África e vi-me a pensar nos meus amigos Massai e todos os outros. Uma voz vinda dos confins do Universo animou-me! «Nada de grave, Ventor! Não te apoquentes. Daqui por 10 milhões de anos, ou mais, já tudo isso estará esquecido. Daqui por 10 milhões de anos podemos não ter as tuas belezas do Lago Niassa e os outros mas poderemos ter um mar genuinamente africano a enrolar na areia e a bater no coração da África. Mas há coisas que os experts não te contam mas eu te digo: nessa altura e se tu continuares a caminhar sobre o teu Planeta Azul, como tens feito pelos milénios fora, irás ver tudo esventrado, quem sabe, com os pólos na linha do Equador e com o Equador na linha dos pólos.

Até poderás ver nesse novo mar, leões de barbatanas e hienas transformadas em sereias. Mas nunca esquecerás essas tuas amigas "trombeteiras" de Nova Freixo.

Aguarda Ventor. Já viste fendas proporcionalmente maiores que as do Rift Valey»!


Ventor e a águia

 Quico e Ventor

A águia que queria matar o Ventor, em Vila Cabral, 1969.

Num dia bonito, cheio de sol, eu e o Sargento Dias resolvemos ir à caça de perdizes para fazermos uma caminhada naqueles belos outeiros com zonas cheias de capim. As perdizes saíram do chão e voaram para a nossa esquerda. Disse ao Sargento Dias para ir pela direita que eu iria pela esquerda do local onde as perdizes tinham pousado para as fazer voar para o lado dele. 

Beleza destruidora

Subi um morro onde o capim me dava pelo peito e pelos ombros, ficando, praticamente, apenas com a cabeça de fora. Na minha vertical esvoaçavam, em circo, um grade grupo de aves de rapina, especialmente, abutres e algumas águias. Mandei o Goldfinger e a Leoa pela minha esquerda e o Bolinhas, um cão pequenote, ficou junto de mim. Daquele grupo de rapináceas, destacou-se uma águia que voou quase na vertical, em minha direcção. Enviei um tiro de caçadeira browning, uma semi-automática de 5 tiros. Ela desceu mais e a alta velocidade. Enviei um segundo tiro e ela desce mais. O objectivo dos tiros era espantar a águia mas ela não se atormentou. Ao terceiro tiro, na defesa do Bolinhas, já lhe arranquei algumas penas. Como ela não desarmava, enviei-lhe o quarto tiro e parti-lhe uma asa.

A águia desviou de direcção. Esqueceu o Bolinhas e atacou-me a mim. Não ia ter tempo para lhe apontar o 5º tiro. Levantei a arma em posição de defesa, esperando a oportunidade de lhe dar o 5º tiro e mata-la mas não me deu tempo.

Quase me cobriu com aquele grande manto das suas asas mas, com o cano da arma, desviei-a de mim para a minha frente, caindo a meus pés e agarrando-me uma perna cravando aquelas garras enormes na minha perna esquerda protegida por umas botas de água com borracha e lona. Ela segurou-me a perna e eu coloquei-lhe a outra bota sobre o pescoço. Enquanto ela me tentava furar a bota eu tentava asfixia-la com a outra bota sobre o pescoço, calcando sempre.

Quando o Sargento Dias chegou espavorido junto de mim porque imaginara algo diferente, pois os tiros que eu dera não eram de quem faz fogo sobre perdizes, olhou e não via nada devido ao capim, perguntou-me: "que raio de tiros foram esses"?

Chegue aqui. Quando ele viu a águia com as duas garras cravadas na bota pergunta: "e se ela fura a porra da bota! Não lhe pode dar outro tiro"? Mais um tempinho e a águia estava morta.


Esta é a águia negra africana ou águia de Verreaux. Tirei da Wikipédia esta foto carregada por Orlica. É a águia mais parecida com aquela que matei em Vila Cabral, em 1969

Esta águia é uma grande águia que vai de 75 a 96 cm da ponta do bico à ponta da cauda. Os machos pesam entre 3 a 4 kg mais ou menos e as fêmeas entre 3 a 7 kg. Tem uma envergadura de asas de 1,80 a 2,30 m.

A que eu matei, pisava-lhe a ponta de uma asa com um sapato e o meu braço esticado não chegava à ponta da outra asa. Imaginem esse bicho a alta velocidade a aproximar-se da vossa cabeça! Com um peso razoável e com as penas da cabeça todas eriçadas, tornando-a maior, o impacto dela no cano da minha arma àquela velocidade, acho que o que me safou foi ela ter a asa partida. O estupor da águia foi mesmo suicida!

Sonhos verso realidade

 Quico e Ventor

Penso, penso, penso e acabo por sonhar.

Tenho vários posts do Blog "Ventor em África", sem as certezas totais e penso sempre, limpar o meu sótão para ver se o disco rígido funciona perto dos 100%. Mas não consigo.

Quem estava comigo, quem não estava comigo. Sei lá! Já contei aqui duas "histórias" da minha caminhada africana, onde não consigo recordar os meus companheiros de caminhada. São duas histórias independentes mas que se deram na mesma caçada, durante uma tarde.

Na primeira dessas duas, trata-se do meu encontro com um leopardo e na segunda, o meu encontro com um grande facochero. Tudo bem menos identificar os meus companheiros de caminhada. Não havia muitos que quisessem ir comigo à caça, nem em Marrupa, nem em Vila Cabral e, quando isso acontecia as suas imagens dispersaram-se pelo futuro do nosso "out of Africa", tal como eles.

Em Marrupa, o primeiro que foi comigo à caça foi o Maniés. Como não conhecíamos aquilo, fomos os dois, cada um com uma G-3. Azar dos azares, nem eu nem o Maniés, durante os treinos na Ota, tínhamos visto uma G-3 e, em Marrupa, quando colocamos os carregadores foi com toda a meiguice deste mundo. Não caíram por sorte! Para experimentarmos as G-3, preparamos-nos para dar uns tiritos. A bala não entrava na câmara, tirávamos e voltávamos a meter os carregadores e nada. O Maniés, enervado, chateou-se com aquilo, "zás, catrapás, pumba"! Ia-me dando um tiro num pé. Foi a um dedo da sola da bota. Foi assim que ele e eu aprendemos a mexer na G-3. Ele nunca mais quis ir comigo à caça por isso ou porque nunca mais se proporcionou. Depois veio-se embora e eu fiquei em Marrupa.


Leopardo da pixabay

Depois foi um açoriano a que chamávamos "porta-aviões". Só foi uma vez, ele de um lado da lângua e eu do outro. Por fim eu estava lá em cascos de rolhas com os cães e ele, só, cá atrás, a gritar por mim. Não gostou da caminhada, ficou desorientado e disse-me que nunca mais iria comigo à caça. Creio que nunca mais foi, nem comigo, nem com ninguém.

Depois, ou ia sozinho, ou com o Melo, ou com o Coutinho, ou à noite, com um chaimite, eu, o Melo, o Coutinho e um Alferes algarvio, dos Comandos, destacado, em Marrupa. Eu, salvo raras excepções, continuava as minhas caminhadas só, utilizando o lema de "mais vale só do que mal acompanhado". Era assim que eu dizia aos que se recusavam.

Mas nessa tarde, eu e mais três saímos do Aeródromo e descemos pelo lado esquerdo da pista para o mato. O objectivo era uma espécie de perdizes diferentes das nossas, que fugiam do chão, onde se alimentavam, para as árvores e depois, de árvore em árvore. Levávamos duas caçadeiras Browning, semiautomáticas, de cinco tiros, eu levava uma, um outro levava a outra e, os outros dois, levavam G-3. Espalhamos-nos, indo eu na ponta esquerda, mais próximo do vale onde fui topar com o leopardo. Nesse local, tempos atrás, ali perto, quis ver um chango fugir e mandei um tiro para o ar com a G-3 e, imediatamente, fui corrido à pedrada por macacos tão assustados que não me largavam.  Eu, acompanhado pelos cães, fui-me desviando, sempre com a G-3 apontada a um dos mais próximos e só parei na picada de Marrupa. Seriam cerca de 18 macacos. Quando se aproximaram da picada desistiram e deixaram de tentar apanhar pedras, onde também não havia muitas. Acabaram por fugir, infiltrando-se mato dentro. Creio ter sido essa a minha sorte. Pouco faltou para eu tentar matar os macacos que fosse possível. Mas não dei nem um tiro além daquele que tinha servido, antes, para espantar o chango.

No resumo dessa tarde, eu e o leopardo encontramos-nos e observamos-nos, olhos nos olhos, ele lá em baixo e eu cá em cima, a uma distância muito curta. Ele pensava no que ia fazer e eu pensava em trocar os cartuxos com chumbo para perdizes por zégalotes para caça grossa. Há um momento em que o leopardo esteve à mercê de um belo tiro mas eu é que era o intrometido e tinha por finalidade observa-lo enquanto ele mo permitisse. Achei que nunca mais estaria frente a frente com uma beleza daquelas e, quando os vejo no zoo, não passam de uma banalidade.



 Um facochero, foto tirada da Wikipédia, da autoria de Sanjay Ach, Attribution-ShareAlike 3.0 Unported (CC BY-SA 3.0) 

No regresso, voltamos pelo mesmo caminho que tínhamos levado. Eu deixei de caminhar na ponta esquerda e passei a caminhar na ponta direita, sempre com o vale à vista. A paz e a serenidade com que ficamos frente a frente, eu e o leopardo, não tinha nada a ver com que se passou já relativamente perto do Aeródromo com o facochero. Ele disparou como um bólide da minha esquerda e tentou atropelar-me ou terá sido pura coincidência, não sei. O mato era alto e, se calhar, o bicho nem me viu. Sei que eu dei um grande salto e ele passou-me por baixo das pernas. Só sei que saí ileso daquilo tudo e só vi que era um facochero quando tive oportunidade de lhe dar o tiro. Mais tarde vi que era bem grande.

Mas onde está o sonho no meio desta realidade toda?

Tanto tenho pensado nisto que acabei por sonhar. Logo a seguir ao meu tiro sobre o facochero, a malta corre para mim descendo a encosta. Sonhei com esse local, no momento do facochero e, nos três vultos que me observavam e me interrogavam pelo motivo do tiro, só identifiquei um, tal como ele era. O nosso grande amigo Coutinho. Creio que ele quis-me tirar esta dúvida e mostrou-se em sonhos, sorrindo, como sempre fazia.

Acredito ele ser um dos outros três. Fomos várias vezes juntos. Mas, e os outros dois? Um podia ter sido o Louco do Amor, o outro o Melo, os que mais costumavam andar comigo. Como dizem os brasileiros, "sei não"! Vou continuar assim.


T-6 (Texano 6)

  Quico e Ventor

Um dia, caminhava o Ventor nas suas Montanhas Lindas a levar as vacas para a Corga Grande, em Adrão. Teria, então, entre 10 e 12 anos.

Era um dia de Abril muito quente. As vacas, caminhando no monte, por fora do caminho, dentando aqui e ali algumas ervas ou carrascas, enquanto eu ia com a vista fisgada num sítio, por cima do caminho onde, de vez em quando, observava um grande sardão todo verde com a cabeça azulada. Caminhava eu com uma pedra em cada mão e vara debaixo do braço e, sobre uma rocha mais baixa, ao lado de outra maior, já observava a cabeça do sardão.

Eu estava disposto a enviar uma pedra de arremesso contra o sardão mas pouco mais via que uma parte da cabeça. Por fim, tão curioso como eu, o sardão, para me ver, começou a mostrar-se mais. Eu ainda estava afastado e ia-me aproximando lentamente do local onde o sardão apanhava sol ao mesmo tempo que me ia observando.

De repente, desce, vindo do Planalto da Naia, com o motor roncando pela Corga Grande abaixo, um brinquedo destes a que mais tarde viria a chamar T-6, uma máquina que foi, para nunca mais esquecer, minha companheira de guerra.


 

 A pintura de um T-6 no Restaurante Terminal, em S. Jacinto

Eu que nunca tinha tido um brinquedo a não ser os que eu fazia (carrinhos de cortiça e outros), vi passar sobre a minha cabeça um dos mais belos brinquedos com que o mundo me brindara. Lá dentro, não me recordo bem, levava pelo menos uma pessoa. Ao passar junto de mim, o piloto inclinou o avião para me observar a mim e às vacas, seguindo pelo vale abaixo bastante baixo, passando sobre Adrão, rumo ao rio Lima. Fiquei extasiado com tudo aquilo que nunca tinha visto, pois quando passavam aviões sobre Adrão, seguiam sempre muito altos e seriam sempre aviões comerciais.



Foi nesse caminho do lado esquerdo da foto. Belos tempos, talvez 1957-58

Aquele brinquedo fez tamanha faísca no meu cérebro que creio ter sido ele o meu passaporte para a Força Aérea.

Passei 23 meses e meio na Base Aérea 2, na OTA e na DSCTA, em Lisboa mas, só voltei a ver um T-6 como aquele em Adrão, anos depois, em Nacala, no Norte de Moçambique, no dia 25 de Janeiro de 1968, quando ele, com furos de balas (feitos na zona de Mueda), fez uma passagem baixa sobre o navio Niassa já encostado no Porto de Nacala, a desejar-nos as boas vindas. Um Nord-Atlas e um T-6, foram os embaixadores da Força Aérea a dar-nos as boas vindas, voando inclinados junto aos mastros do navio Niassa e sobre nós. Os roncos dos seus motores pareciam dizer-nos: "bem-vindos ao palco da guerra"! A primeira coisa que fizemos à chegada ao AB5, em Nacala, foi ir cumprimentar aquela bela máquina furada pelas anti-aéreas da Frelimo.

No dia 31 de Janeiro de 1968, cerca da meia noite, entrei eu e outros no AB6 e, quando saímos do Hangar e nos dirigimos para o Bar para comermos algo pois estávamos cheios de fome, vimos alguns T-6 lado a lado que no meio do escuro, mais nos pareciam fantasmas do meu brinquedo maravilha.

No dia seguinte de manhã, já em plena luz do dia, lá estavam eles alinhados. Até pareciam que faziam a sua apresentação àqueles que, durante dois anos e tal estavam prontos a conviver com eles e, se necessário, a dar a vida por eles porque eles iriam fazer parte de nós.



No hangar do AB6 quando saíamos pela sua porta, lá estavam os nossos companheiros de metal. Constou-se que, mais de uma vez, viram leopardos junto deles. Este lá vai cruzando os céus de Moçambique

Entrei pela primeira vez dentro de um T-6, em Nova Freixo, no AB6, quando rumei a Marrupa, em 6 de Abril de 1968. Quando o piloto me mostrava, com o T-6 invertido, o monte Mitucué, em Nova Freixo, eu via a Corga Grande, o sardão, as minhas vacas, os carvalhos lá em baixo, e não aquele rochedo que nunca mais acabava. O meu segundo voo de T-6, foi sobre a serra Mecula, o rio Lugenda e sobre parte da margem direita do Rovuma, na zona da confluência do Rio Lugenda. Depois de Adrão, fartei-me de ver T-6 mas não enjoei! No Restaurante Terminal, em S. Jacinto, ao ver esse T-6 pintado na sua parede anos depois de ver T-6 vezes sem conta, fiquei tão extasiado que me parecia voltar a ver o meu brinquedo nos céus de Adrão.



Um T-6 americano sobre Jacksonville ( foto tirada da minha amiga Wiki)

PS. Estes aviões T-6, eram os aviões de instrução das forças armadas americanas, já em 1936, e continuou pelos anos fora. Os Estados Unidos possuiam 1.200 T-6 em 1941. Após o ataque a Pearl Harvor, o presidente Roosevelt, mandou construir aviões e, terá dito numa reunião com os Estados Maiores Americanos, que queria que mandassem construir 50.000 T-6 para dar caça aos japoneses.

Dia de tristeza

 Quico e Ventor

Hoje é mais um dia de tristeza.

Quero aqui deixar a minha homenagem ao meu (nosso) amigo Abílio José Coutinho.

Tantos anos depois, mesmo não nos vendo tão assiduamente como gostaríamos, os nossos corações sempre bateram no mesmo compasso e, a nossa amizade foi indestrutível.




Coutinho e Ventor, em Mafra

Tantos amigos cujos nomes de alguns não recordo, perdidos nas sombras dos tempos, continuamos caminhando, sempre a sonhar com esses tempos passados mas inolvidáveis. Alguns já passaram o limiar que define o Além. Estão para lá da linha imaginária que define o Reino da Luz e o Reino das Trevas. Cá ou lá, lá ou cá, continuaremos sempre juntos até ao dia final.

Depois dos almoços que tivemos durante os anos 70, onde dávamos novas caminhadas na reestruturação das nossas vidas, deixamos de nos ver mas, quis Deus que, pela mão do nosso amigo Checa, nos voltássemos a encontrar. Esse encontro, o nosso encontro final, foi em 21 de Setembro de 2013, em Mafra.




Era assim, nas nossas caminhadas africanas. Marrupa, Nova Freixo, ... . Franqueira e Coutinho



Coutinho, Franqueira, Rui Perestrelo e Checa, em Nova Freixo

Hoje recebi a triste notícia, do nosso amigo Checa de que, mais um de nós, partira hoje de manhã, para junto do Senhor da Esfera. Ele nos trouxe a este mundo e nos vai levando para o outro e, uns atrás dos outros iremos fechando esse ciclo.

Hoje foi a tua vez mas tu não partiste! Ficarás nos nossos corações tal como neles sempre tens estado.

Um dia voltaremos a ter mais um encontro, grande amigo.


As três amendoas do Ventor

  Quico e Ventor

Mais um ano, mais um domingo de Páscoa, ....

... mais três amêndoas!

Era uma vez! ...

Era uma vez, um grupo de cerca de 5 a 6 dezenas de homens, numa terra linda a que outros deram o nome de Marrupa (Desterro), eu comi três amêndoas. Outros comeram outras três amêndoas e outros, se calhar porque não gostavam, terão redistribuído os seus quinhões pelos seus parceiros do lado. Seja como for, eu comi três.

Desde então, eu voltei a comer três amêndoas em todos os domingos de Páscoa de todos os anos, tal como já fiz hoje.


Esta é a foto da confusão! Porém, para tudo há soluções 
 
Um dia, convencido ser esta a foto desse domingo de Páscoa, coloquei-a neste meu blog como tal. Eu tinha uma foto do domingo de Páscoa de 1968 e, uma vez que não a encontro, será uma das desaparecidas. Por isso, uma vez que se trata do mesmo local e de todos ou quase todos os velhos amigos desse dia, ela vai continuar a andar por aqui.
Alguns me disseram que esta era, realmente, a foto de domingo de Páscoa de 1968. No entanto, a filha do nosso amigo Furriel Pil Av. Aleixo, que o Senhor da Esfera deverá ter a seu lado, disse-me que o pai chegou a Nova Freixo, em 01 de Julho de 1968.
Também o Alferes Oliveira, sentado frente ao Aleixo, disse que não terá estado em Marrupa nessa Páscoa.
 
Diz mesmo que ..."Em boa verdade, essa foto não foi tirada na Páscoa de 68; foi sim tirada em fins de 68 ou princípios de 69, se calhar na Páscoa deste último ano, que corresponde ao período de tempo em que prestei serviço em Marrupa. Na Páscoa de 68, eu ainda estava na Metrópole, como então se dizia, só chegando ao AB6 em 17 de Maio de 1968".
 
Resumindo: "essa foto, admitindo as razões temporais da Catarina Aleixo e do Alferes Oliveira, não será, de facto, da Páscoa de 1968. Mas também garanto que foi tirada em 1968, pois eu saí de Marrupa, antes do natal de 1968. Esse Natal, ainda hoje não sei porquê, fui passá-lo a Nova Freixo e a foto foi tirada antes disso. Creio que não cheguei a pensar no Natal, porque o nosso Comandante, Ten. Coronel Araújo, tinha-me dito que eu sairia de Marrupa quando quisesse. Creio que parti para Nova Freixo com o olho em Vila Cabral para onde só fui em 7 de Julho de 1969 e onde permaneci até 20 de Janeiro de 1970. Como nunca mais voltei a Marrupa, teria sido impossível eu ter ficado nessa foto".
 

 

As minhas três amêndoas de 2013, na Amadora, homenageando as minhas três amêndoas e os meus companheiros de 1968, em Marrupa, 45 anos depois
 
Mas cá estou eu, mais uma vez a desejar a todos que por lá andaram e, especialmente aos de Marrupa, os votos de uma boa Páscoa. Para já e, enquanto esses votos são transformados em bits e espalhadas pela Net, eu vou trincando as amêndoas que fotografei.


Boa Páscoa de 2012

 Quico e Ventor

Passaram 44 anos!

Depois de 44 Páscoas, aqui estou eu a desejar-vos uma Boa Páscoa de 2012 e, com a esperança de que as amêndoas não vos faltem.

 


Vexiloide de Alexandre Magno, numa guerra de 13 anos, sem retorno

 
As amêndoas que me recordam Marrupa - 1968
 


Malmequer, o Vexiloide do Ventor, sobre cujas pétalas, vou sonhando

Deixo-vos aqui as amênddoas desta Páscoa de 2012, entre os vexiloides de Alexandre Magno e do Ventor, duas imagens que bem podemos considerar a representação do meu amigo Apolo, a minha (nossa, espero eu) bela companhia africana.


Marrupa, em 1968. Aos que partiram e aos que ficaram, eu nunca vos esquecerei 

Boas Festas para todos, especialmente, aqueles que passaram pelo Niassa - Nova Freixo, Marrupa e Vila cabral, um triâgulo, nas nossas vidas.

Marrupa 1968

 Quico e Ventor

Encontros e desencontros da nossa caminhada.



Companheiros de caminhada, senão no domingo de Páscoa de 1968, a maioria destes estaria lá, mas esta foto será posterior a Julho de 1968, data da chegada do "Manecas" a Nova Freixo
 
Tenho tido esta foto por aqui, como se fosse tirada no domingo de Páscoa de 1968, em Marrupa. Eu sei que, algumas vezes almoçávamos cá fora, debaixo do alpendre e isto, para mim, foi durante oito meses e meio. Um desses dias foi nesse domingo de Páscoa. Porém, a foto não é essa! Será outra que nem sei se ainda a terei. A foto a que me refiro, foi tirada com a minha máquina, uma laica que, de certeza, não gostou tanto de Moçambique como eu. Não se deu bem com o calor africano, com o pó, com os tombos e sei lá que mais. Rápidamente ficou inoperacional.
 
Mas nesta foto, está o nosso amigo, Pil. Av. Aleixo que o Senhor da Esfera levou antes de tempo. Como a sua filha Catarina me chamou a atenção, o nosso companheiro Aleixo, segundo rezam os seus documentos, terá chegado a Nova Freixo em Julho de 1968 e, como eu não acredito que os documentos estejam enganados e menos ainda os complementos informativos que a Catarina me deu, só me resta substituir a foto se tiver a outra. Se não tiver, esta ficará por aqui porque, simbolizará uma amizade que não foi construída nem se esgota num domingo de Páscoa com uma, duas ou três amêndoas.
 
Porém, tenho mais um dilema! Agora fico na dúvida se o Aleixo participou da nossa "batalha aérea" sobre o Lugenda, levada a cabo em Julho de 1968, durante 15 dias. Sei que estiveram presentes dois pilotos novatos, que partiram de Vila Cabral para Marrupa e sem a frequência do Rádio Farol de Marrupa.
Estavam quase perdidos na zona do Revia e pediram-me a frequência do Rádio Farol pela Rádio. Perguntei se estavam a brincar comigo e disseram-me que tinham grandes probabilidades de se perderem.
Nesse momento, o Tenente Coronel que comandava essas operações, destacado pelo Comando Avançado para tal, ele e o então Capitão Melo Correia assistiram à conversa pela rádio. O Ten. Coronel disse-me para não cair na tentação de lhes dar a frequência e que iria participar da incúria deles. Eu prolonguei a conversa, via rádio, sempre na brincadeira e consegui que eles apanhassem a frequência sem que os meus parceiros do lado se apercebessem.
 
Quando a coisa estava resolvida, virei-me para o "Clark Gable" (era assim que lhe chamávamos) o Ten. Coronel, e disse-lhe: "vê, como eles estavam na brincadeira"! O Cap. Melo Correia sorriu e, ainda hoje, tenho dúvidas se ele se apercebeu da minha marosca. Se se apercebeu, não me recordo de falarmos nisso. Mas ainda encontrei o Melo Correia, um bom homem, na Av. da liberdade, frente ao Estado Maior da força Aérea, no dia 25 de Novembro, então já como Coronel. Ele subia a Avenida da liberdade num carocha preto da Força Aérea e eu, vindo do meu trabalho, descia a pé a observar os pára-quedistas nas janelas do Estado Maior e no telhado. O carro preto parou, ele cumprimentou-me e disse-me: "lembra-se de mim? Não sei que lhe diga. Isto está muito mau! Se quiser, apareça em Cortegaça"!
Mas o Jaime Neves, resolveu o problema junto à RTP e eu esqueci Cortegaça! Isto foi no 25 de Novembro de 1975.
 
Escrevo aqui para manter as memórias actualizadas. Então fiquei admirado, como um homem que apenas estivera comigo durante 15 dias, em Marrupa, 15 intensos dias e, sete anos e quatro meses depois, me reconheceu numa avenida de Lisboa onde estivemos debaixo das armas dos pára-quedistas que tinham ocupado o edifício do Estado Maior da Força Aérea. Mas havia homens inteligentes, na Força Aérea Portuguesa de então! Eu também o conheci e a primeira coisa que fiz, foi olhar para os seus galões. Hoje não faço ideia nenhuma, quem eram os pilotos que partiram de Vila Cabral para se juntarem aos "Catataus", em Marrupa.
 
Mas volto à foto. Todos os que estamos nela, segundo a informação da Catarina, já somos, quase todos uns velhadas, em Marrupa e essa foto terá no mínimo, mais 3 meses para cima. Sendo assim, o nosso amigo Manecas, ainda era um "checa" e, por portas e travessas, foi fazer uma caminhada por Marrupa. Estivemos por lá tanto tempo que, para mim, era já na Páscoa. Mas não foi.
A única coisa que posso dizer-te Catarina, é que o teu pai, era um grande homem, um amigo verdadeiro e fez a sua vida militar, em Moçambique, parecida com a minha, sempre a brincar. Tanto quanto sei, pois estivemos juntos nos três sítios do Niassa, Marrupa, Nova Freixo e Vila Cabral, ele sabia que a vida seria mais fácil se a levássemos a sorrir e a brincar. Sorrindo, os que estavam junto de nós, teriam o seu "sacrifício" menos pesado.
 

Após 15 dias de assaltos com T-6 e PV2, sobre a zona do rio Lugenda e a dormir, entre a meia-noite e as quatro da manhã, era premente o descanso, na cadeira da guerra. Terei de um dia falar aqui do então nosso Capitão Mantovani que me encarregou de fazer tudo para coordenar os PV2 que sairiam de Nova Freixo, logo após eu carrilar para lá a informação meteorológica que o "sardinha" e o "carapau" me enviavam ao romper do dia, voando sobre o rio Lugenda
 
Mas a foto continua a dizer-me que tive sempre, junto de mim, os melhores dos meus amigos. Mesmo com os encontros e desencontros, da mobilidade da guerra, Marrupa será sempre o meu sítio de preferência. De lá nunca esquecerei todos os amigos que almoçaram e jantaram comigo nessas mesas. Nunca esquecerei, as minhas caminhadas loucas, na perseguição dos perus selvagens. Nunca esquecerei que rolei nessa pista, debaixo da metralha de companheiro nosso que o Senhor da Esfera quis que tivesse a altura mínima para não ser capaz de matar o Ventor e o outro amigo cabo-verdiano, o Melo, que gritava para mim que já não iria conhecer o filho que tinha nascido há dias, na Metrópole. Ainda fui eu que, saído debaixo de tanta fogachada, uma MG furiosa, fui ajudar o gajo que quase nos matou, na escuridão da noite com cerca de 3 kms nas pernas, para virmos pedir ao Comandante do Batalhão de Marrupa, para nos enviar uma Berlier para rebocar o Panhard para fora do lamaçal onde ficamos atolados. O Alferes dos Comandos e penso que o Coutinho, ficaram a guardar o Panhard, eu e o Melo, caminhamos na noite, entre a bicharada selvagem, para virmos tratar do desatolamento. Enfim, éramos uns "malucos" onde o mundo valia tudo ou não valia nada.
 
Obrigado Catarina por me tirares as dúvidas, sobre a foto. Alguns me confirmaram que era mesmo no domingo de Páscoa. Eu dizia para mim, que faltava lá o nosso amigo açoreano a quem chamávamos "porta-aviões" e achava muito cedo os quatro juntos, o nosso "Louco" que Deus tem, o Checa, o Coutinho e eu. Penso que o "Louco" e o "Checa" chegaram depois dessa Páscoa.
São pormenores muito complicados com tantos anos pelo meio. Mas juntos ou espartilhados, tivemos os nossos momentos bons e os nossos momentos maus, todos inesquecíveis, tal como as minhas três amêndoas.

Sonhei com Marrupa mais uma vez

 Quico e Ventor

Uma noite destas, dei uma das minhas caminhadas de sonhos, por Marrupa. Pois foi! A sonhar, voltei a pisar uma lângua de Marrupa e, ainda por cima, sonhei com uma lângua onde só caminhei uma vez.

Algures, em 1968, caminhei mais três amigos numa lângua de Marrupa e, um deles, era o nosso amigo Coutinho, do Bombarral. Os outros dois não me recordo. Penso que um deles, seria o nosso amigo "Louco do Amor". O Coutinho, infelizmente, já está junto ao Senhor da Esfera mas, o Louco do Amor, ainda poderá andar por aí. Espero que sim.

Saímos de Marrupa e, ao entrar na picada, viramos à direita, em direcção a leste. Já um pouco afastados do AM62, entramos pelo mato dentro e, de seguida, numa lângua. Espalhamos-nos os 4, um pela direita, outro junto à zona da água (o Coutinho) um mais afastado à esquerda da lângua e eu, como sempre, mais à esquerda e tentando fugir a uma queimada, afastei-me ainda mais. Essa história está contada aqui.

Em 1970, conheci um homem que era cunhado daquela que viria a ser minha companheira das minhas caminhadas. Entrei no carro dele e ele perguntou-me onde eu estivera, em Moçambique. Disse-lhe que estive em Nova Freixo, em Marrupa e em Vila Cabral mas, quando ouviu falar em Marrupa, os seus olhos brilharam mais.

"Esteve em Marrupa, é? Eu também estive nessas terras, mas estive mais tempo em Marrupa. Era dos Comandos e estivemos em Marrupa a guardar a malta que construiu a pista. A maioria do tempo andávamos à caça. Nunca viu elefantes em Marrupa"?

Nem um, respondi eu. "Pois não. Nós também nunca mais vimos nenhum. Apareceram lá três e matámos-os. Nunca mais vimos nenhum. Creio que nunca mais ninguém verá elefantes em Marrupa"!

Esse homem foi há dias chamado perante o Senhor da Esfera onde nos esperará. Foi o seu funeral e eu só me recordava dessa nossa conversa de 1970. Tinha-me dito, mais ou menos, onde estariam as ossadas dos elefantes, mas Marrupa ficara para trás e as ossadas dos elefantes eu nunca as cheguei a ver. Mas foi baseado nessa conversa e nesses pixeis da minha memória que voltei a Marrupa, em sonhos. Não éramos quatro mas fui lá eu sozinho. Exactamente o mesmo sitio, mas sem queimada. Caminhava na encosta da esquerda a recordar a jibóia e essa nossa caminhada, perguntando-me a mim mesmo porque nunca mais lá regressei.



Um rinoceronte como o do meu sonho

A encosta era linda, toda verde e eu caminhava a pensar onde estariam as ossadas dos elefantes. Virei-me para trás e estava a ser acompanhado por um rinoceronte. À minha direita havia umas rochas que tenho a certeza não estavam lá quando da caminhada real. Olhei o rinoceronte e ele acelerou para me atacar. Pensei rápido! Não me vale a pena fugir. Vou enfrenta-lo, não vou fugir. Se fujo canso-me e depois não posso lutar. Esperei o rinoceronte que se deslocava em alta velocidade na minha direcção. Quando ele me ia marrar, quando quase me pegava, saltei para a esquerda. O rinoceronte estatelou-se todo pelo chão fora. Eu iniciei uma grande corrida para as rochas, enquanto ele se levantava para me pegar.

Alcancei as rochas, subi para a mais alta deitada sobre outras. Vi um grupo de leões, cerca de uma dúzia, a caminhar em nossa direcção, com os olhos fixos no rinoceronte. Creio que eles a mim não me viram e eu, no topo das rochas, tentava colar-me à pedra fria, com a arma segura sob o meu peito para os leões não me verem. Dali, vi os leões atacarem o rinoceronte, mata-lo e come-lo. Ficou a coluna óssea do rinoceronte na paisagem. Os leões partiram pachorrentos, com toda a calma deste mundo. Perdi-os no horizonte e comecei a procurar como sair dali. Olhava em direcção da picada, campo aberto, sem nada. Olhava a lângua onde o Coutinho matara a jibóia, as árvores onde cortei a fita para prender a jibóia ao pau e no mesmo sitio estava algo que seria um tronco ou, quem sabe, outra jibóia! Estava mesmo com medo de como sair dali. Não me atrevo a ir pela lângua e entrar na floresta. Decidi ir direito à picada e enfrentar o que aparecesse. Pelo lado da jibóia é que não!

Mas não cheguei a sair das rochas. Acordei apavorado na minha cama. Sei é que iria tomar a direcção da picada, por campo aberto, com a browning bem colada às mãos.

Contei o sonho a um amigo dos que andaram por lá comigo, e informou-me que ele, nas suas caçadas, tinha visto, por lá, as ossadas dos elefantes.

Escravatura e beleza

 Quico e Ventor

Escravatura!

Pois foi em tempos que se deram estas bestices, ainda por cima numa das mais belas terras do mundo. Parece impossível, depois de olharmos a serra de Mecula, a foz do Lugenda, o Rovuma, os "incelbergs", saídos do chão da mãe negra, fazendo alguns deles, lembrar lombos de elefantes e, onde nos dizem existirem pinturas rupestres, que tenha havido, provocadas por homens, sobre outros homens, coisas como esta pintura nos mostra.


Traficantes de escravos árabes e seus cativos ao longo do rio Rovuma

O rio Rovuma, nasce perto do Lago Niassa, na Tanzânia e segue rumo ao oceano Índico numa extensão de 760 km até à sua foz no oceano Índico, junto a Cabo Delgado. Recebe como afluente o rio Messinge que nasce entre Lichinga (a velha Vila Cabral) e Maniamba. Possui alguns afluentes, três do lado da Tanzânia e cinco do lado de Moçambique, o maior deles, o rio Lugenda.

O rio Lugenda, que percorre umas centenas de quilómetros até à sua confluência com o Rovuma, junto a Negomano, nasce no lago Chirua, que serve de fronteira entre Moçambique e o Malawi, atravessa o lago Maniamba, e segue todo o interland do Niassa.

Estes rios são pontos fulcrais do norte de Moçambique. Entre o rio Rovuma e o Lugenda e a leste deste, abrangendo parte de Cabo Delgado, foi constituída uma das maiores reservas nacionais de Áfrca e a maior de Moçambique. Esta reserva abrange a serra de Mecula com 1.441 metros de altura (mais 25m que a minha Pedrada), à esquerda do rio Lugenda em parte de Cabo Delgado, à direita do Lugenda e tem uma superfície de 42.400 quilómetros quadrados sendo (para dar uma ideia) duas vezes superior ao Parque Nacional Kruger, na África do Sul. A limitação a norte, é feita pelo rio Rovuma.


 Os Mabecos correm risco de desaparecer do nosso convívio. Recordo Newky - o Mabeco

Foto tirada da Wikipédia, da autoria de Masteraah. This file is licensed under the Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported license.

Esta reserva do Niassa era constituída, em 2012, segundo as estatísticas, por muitos animais, entre os quais, cerca de 12.000 elefantes, dos maiores de África, cerca de 12.000 palancas negras cerca de 200 mabecos (animais que correm perigo de extinção), 800 leões e toda uma panóplia dos maiores animais de África, entre eles, Búfalos, gnus (bois cavalos), impalas, leopardos, hienas e muitos outros, sem esquecer hipopótamos e jacarés.


Moçambique

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