domingo, 16 de janeiro de 2011

Chita ou Cheetah

 Quico e Ventor 16.01.11

A chita, é um dos encantos do Continente mágico - África.

A chita, é um dos Big Cats que corre perigo de fazer parte do livro dos animais em vias de extinção. Tal como o leão, o leopardo, o jaguar, o puma, ... a vida deste belo animal, a que chamamos chita ou guepardo (gato pardo), corre perigo e, perigo redobrado por ser o mais frágil de todos. Eu nem me recordo se, alguma vez vi, mesmo em cativeiro, este belo animal vivo. Recordo-me, isso sim, de alguns dos outros Big Cats com os quais já tive várias conversas no Zoo mas, de chitas, não.

Este apenas o vejo em filmes e comentários, além das fotos.


 Vós sois, certamente, uma das maiores maravilhas das savanas africanas (foto wiki)

Mas tenho de reconhecer que este animal, para mim, é mesmo lindo. E tal como o Ventor de outros tempos, leve como uma pluma e rápido como um raio. Claro que ele tem apenas velocidade de ponta, não tem a caminhada quase "perene" do cão selvagem, caçador infatigável das savanas africanas.

A chita é um animal esbelto, com uma velocidade de ponta comparável a um Fórmula 1. 


Estarás, certamente, a imaginar como seria a tua vida na savana. Lá terias de caçar, aí, alguém andará a caçar por ti. Não é a mesma coisa, pois não amiguinha? (foto wiki)

É um animal que tem por habitat primordial as savanas africanas, embora ainda tente resistir noutros lugares, como na Península Arábica, no Irão e no Afeganistão, correndo riscos de extinção em todos esses locais, incluindo as savanas africanas. As almofadas das patas das chitas são constituídas por ranhuras que servem para forçar uma melhor tracção em altas velocidades e a sua cauda comprida serve de leme, orientando a sua alta velocidade quando curva. Também, para ajudar nessa alta velocidade, tem uma cabeça curta, aerodinâmica, de orelhas redondas e uma flexibilidade da coluna adequada para essa velocidade de ponta, extraordinária, que faz da chita o animal mamífero mais veloz da terra, caçando sempre em velocidade de ponta, sem aplicar tácticas ou técnicas de grupo, como os leões, as hienas ou os cães selvagens. Normalmente, faz uma caçada numa distância média de cerca de 400 a 600 metros ou, então, falha.


 Levas aí a tua ração e estarás sempre a magicar se, na próxima, terás a mesma ração. Todos nós somos prisioneiros de algo ... (foto wiki)

As chitas, tal como todos os animais, podem atingir diversos tamanhos, alcançando cumprimentos do corpo de 1.10 a 1.50, metros e tamanhos de cauda de 60 a 80 cm e atingir pesos totais de 30 a 85 kgs. Isto significa que há chitas que atingem o tamanho dos maiores leopardos das savanas onde já foram encontrados leopardos com 80 kg de peso.

 Uma de vós terá de ser mais lesta para alcançar esse pedaço de carne, mas isso sempre vos fará correr, sem perigos (foto wiki)

Eu sei que todos vós, tal como eu, gostais de ver as chitas na televisão mas, depois, esquecemo-nos delas porque, elas têm outro mundo, pertencem a outros azimutes e vivem a milhares de km de distância dos nossos corrais ou dos nossos quintais. Por isso, normalmente, esquecemos e nem queremos saber se são mortas selvaticamente, se há muitas, se há poucas, se um dia elas ficam por aí a mostrar a sua beleza às gerações futuras ou se, as gerações futuras, à medida que caminhem por este mundo que vão herdar, começam a espreitar as fotos dos livros, das revistas, ... a espreitar estas janelas, as televisões ou a ver os velhos filmes de seus avós, ... poderão gritar alto: "e chamavam-lhes, eles bestas"! 

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mais um amigo que parte

 Quico e Ventor 17.11.10

David "o inglês"


 

Mais um companheiro que nos abandonou. O da direita, de nome David, a quem chamávamos "o inglês". À esquerda o Sousa e ao centro o Alex

À nossa esquerda, o Sousa, um companheiro de guerra com quem bebi a minha primeira cerveja, numa tasca de Vila Cabral, sem ser o Café Planalto;

Ao Centro, o nosso amigo Alex, que o Senhor da Esfera quis que nos voltássemos a encontrar, muitos anos depois, em 2008, pela mão do nosso amigo comum, o Louco da Malásia. (Olá, Rui")!

À nossa direita, o nosso amigo David "o inglês", sobre o qual tenho uma pequena história:

Saímos da Base Aérea 2, Ota, com destino a Monsanto, Lisboa - o GDACI (Grupo de Detecção, Alerta e Conduta de Intersecção);

Levaram-nos para os subterrâneos de Monsanto, onde fomos apresentados ao Oficial de Dia, um Capitão, cujo nome não recordo e nem interessa. Esse Capitão olhou-nos um a um, com incidência nos nossos cabelos e voltou a fixar o olhar no nosso amigo "inglês".

De repente, o tipo deu um grande grito: "Fascina, a tesoura! Traga-me uma tesoura"!

Voltou a olhar o "inglês" e disse-lhe: "vou-lhe cortar o cabelo e depois vai acertá-lo à barbearia"!

O nosso amigo "inglês", com toda a calma deste mundo, olhou o Oficial de Dia e disse-lhe: "pode mandar vir as tesouras que quiser, mas no meu cabelo não toca"!

O capitão vira-se para mim e grita: "está a ouvi-lo"?

Eu que, tal como os meus colegas éramos um grupo de Especialistas da FAP que tínhamos chegado a Monsanto e era apenas o número mais antigo do grupo a que me coube fazer a apresentação, disparei a arma que tinha: "chegamos da Base Aérea 2, onde nos apresentamos ao Major Tomás para nos despedirmos e nos fez a respectiva revista para quem estávamos em condições. Por isso, recebemos a Ordem de Marcha para o GDACI e aqui estamos. Penso que o cabelo do David "o inglês", aprovado por oficial superior, não cresceu o suficiente, da Ota até aqui, para sofrer qualquer reparo. Acho que o melhor é desistir"

O Capitão saíu a barafustar, porta fora, e alguém foi incumbido de nos levar aos nossos destinos. Depois disto, eu voltei a ter outro problema com esse capitão que, talvez um dia fale nele e venci mais essa guerra.

Hoje todos estaremos tristes pela perda desse nosso amigo David, "o inglês", que já estará ao lado do Senhor da Esfera.

O Senhor vai-te guardar David. 

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O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Castanhas para Todos

 Quico e Ventor  11.11.2010

Agora que é o segundo S. Martinho que passo, sem a companhia do meu Quico, sou eu que vou oferecer, aqui, as castanhas para todos.

Para toda a gente que por aqui passar; podem levar castanhas até esvaziar o recipiente.

Quando eu, nesta altura do S. Martinho, dizia ao Quico: "vamos oferecer castanhas aos nossos amigos"? Ele dava uma corrida e só parava nesta janela. Não o fazia pelas castanhas, mas pela palavra "AMIGOS"! Esta palavra era a sua campainha de corrida para esta janela.

Hoje, não desafio o Quico para a corrida (ele ganhava-me sempre), mas venho eu sozinho, embora ele esteja sempre presente, aqui, a meu lado! Estou à espera que as castanhas assem para as trazer aqui, mais um copinho de água-pé e vou caminhando ao lado de todos aqueles que, em determinados momentos, por vezes difíceis, ainda continuam a fazer parte da minha vida.


Castanhas assadas num forninho

Por isso, mesmo que não gostem de castanhas, convido-os a todos a estender a mão e a tirar uma castanhinha e a beber um copinho de água-pé ou rosé. Tinha pensado ir ao meu amigo Checa buscar água-pé mas isto não está bom para fazer caminhadas, mesmo sentado no banquinho do melhor carro do mundo para as minhas necessidades. Isto está mau! Por isso, comprei a água-pé, cinco litros e já vi que era boa, aqui bem pertinho, mas não foi na adega da Dona Rita!

Para os velhos amigos e para os novos que vão aparecendo, haverá sempre uma forma de comermos juntos as castanhas e beber a água-pé, nem que seja apenas com os olhos.


 

Castanhas assadas com vinho verde rosé, Muralhas de Monção. Também com vinho rosé, Conde de Vimioso e água-pé que, posso considerar boa


Eu sei que o meu Quico, que tanto gostava de oferecer as castanhas e a água-pé, hoje, muito cedo, terá descido desde as Fontes até Soajo, dado umas voltas pelos espigueiros e ido acordar o S. Martinho, junto da Igreja, para irem juntos às castanhas e fazerem aquilo que o Ventor não poderia.

Assim, em meu nome e em nome do meu Quico deixo-vos aqui estas belas castanhas.

Claro que estou a escrever e a lembrar-me de alguns belos magustos que comi por este mundo e quero recordar que os melhores magustos de Adrão, comi-os, ainda pequeno, na casa do meu amigo Carrasco, que metia castanhas no borralho sem as cortar para darem aquele grande estoiro e fazer saltar as brasas.

Eu, que era um puto, gostava desses estardalhaços!



Uma garrafa de abafadinho de 2002

Eu sei, eu sei! Isto não se guarda!

Mas foi uma oferta do meu amigo Iatros e guardei-a como uma preciosidade. Depois passou o tempo e, esqueci-a! Esqueci a garrafa mas não esqueci o Iatros que, como todos ou quase todos os amigos, com o andar do tempo se evaporam como as nuvens ou, então, caem em dilúvios e desaparecem na mesma. As nuvens! O Iatros não! Eu calculo que ele ande por aí, pelo Alentejo (andará?) e, um dia, não beberemos esta garrafa, mas beberemos outra.

Trata bem os teus doentes alentejanos Iatros e, não te esqueças de comer castanhas com eles.

O que desejo para ti, como médico e como amigo das nossas lides "néticas" que já foram, é o que desejo para todos os médicos deste mundo, teus companheiros de caminhada.

Não a bebi, mas obrigado pela garrafinha à qual ou melhor, às quais, tenho a certeza, com todo o prazer dedicaste as tuas horas de descanso. Para mim, por isso e não só, esta garrafinha nunca será esquecida. Creio que não estará em condições de beber e, por isso, vai regressar ao lugar que tem ocupado.

Ela estava destinada a um dos meus S. Martinho. Mas, agora, é tarde!


O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

terça-feira, 6 de julho de 2010

Na Rota do Tartaranhão

 Quico e Ventor  06.07.2010

Mas faltava o essencial para considerar ter realizado uma caminhada na Ria.

Veja as fotos aqui no Shutterfly

No domingo, o Alex, veio com a história de pedir a chave do portão a um amigo para levarmos o jipe até perto do mar, junto às dunas, área permitida, mas eu achei que o ideal, era deixar o amigo, o portão, o trilho e o jipe sossegados.

O que eu queria mesmo, era fazer uma caminhada que tivesse por bússola o som roncoso de Neptuno e para a realizar, bastava-nos seguir a rota do tartaranhão, em direcção ao mar. Foi o que fizemos!

Eu tinha esta caminhada em mente, desde 2008, e observava a rota do terraço do Alex, mas por infortúnios da vida ainda não tinha conseguido realizá-la! Desta vez tinha de ser. Metemos-nos a caminho e lá fomos sempre vigiados pelas belíssimas aves de rapina - os tartaranhões dos paúis. Creio ser assim que lhe chamam. São uma espécie de gaviões, mas até podem ser outras aves de rapina. Algumas parecem-me águias!

 

O cacto do mar, fonte de alimentação de muitos insectos 

Caminhando rumo ao bosque, lá longe ouvia o som vitorioso de Neptuno a cantar a minha quadra preferida no que lhe diz respeito.


O mar enrola na areia,

Ninguem sabe o que ele diz.

Bate na areia e desmaia,

Porque se sente feliz!


Assim, ouvindo Neptuno enrolar-se na areia, fomos caminhando rumo a Oeste. Depois de atravessarmos campos da reserva agrícola lá do sítio, penetramos e atravessamos o bosque que nos levou até ao mar. Encontramos uma espécie de mini-lago que nos obrigou a retroceder pela esquerda e apenas porque não me apetecia molhar os sapatos. Mas daquela área, julgo que haveriam mais pocinhas de água, pois lá do interior do bosque chegavam-me sons dos tritões e talvez das salamandras ibéricas, todos em alvoroço porque, no seu meio, caminhava, lentamente, aquele que todos eles conhecem por Ventor e os seus amigos.

Os tartaranhões, gaviões, águias ou fosse o que fosse, mantiveram-nos debaixo de olho e no interior do bosque todos os animais estavam em festa, pois havia alguém que caminhava nele em sua honra.


  Uma larva de tritão com as suas guelras exteriores, um dos caminhantes anfíbios, pelos arrabaldes da Ria - foto da wikipédia



O tritão ibérico, talvez um dos caminhantes pelos arrabaldes da Ria - foto da wikipédia

O meu amigo Apolo tinha mandado estender uns tapetes dourados para a nossa passagem e conhecendo-me ele como me conhece, tinha dito aos tritões para nos barrar o caminho, pois não devíamos passar por ali sem pisar os seus belos tapetes. Ele sabe bem que eu prefiro os sítios dos tritões mas, ao mesmo tempo, sinto-me mal com os sapatos molhados. Por isso ele acaba sempre por ganhar!

Mas lá fomos por entre os matagais até atingirmos as dunas que nos deram acesso a Neptuno. Fosco, zangado, moribundo!

Mas eu, como sempre, pouco lhe liguei. Liguei mais às couves do mar, aos cactos do mar e aos meus amigos albi-negros-amarelos que se banqueteavam com flores carnudas, como esta e que também fazem parte das minhas belezas de sempre.


Uma flor a que chamam couve do mar - nas duna da Ria


O meu amigo abelhão, que me convidou para o lanche. Onde ele está, está o meu mundo 

 

Mamangaba, Besouro mangangá ou Marimbondo mangangá, no Brasil, abelhão, vespa-de-rodelo, em Portugal. Besouro. Para mim é um besouro. Era assim que lhe chamávamos, em Adrão. E é meu amigo. O meu amigo albi-amarelo-negro. Mas cuidado! Não o ameace porque se o picar, não o faz uma só vez como a abelha. Vai picando enquanto puder!

Depois de observarmos a piscina de Neptuno e a sua fúria contra o areal, apreciamos as dunas e reiniciamos a nossa caminhada rumo a casa para voltarmos a caminhada para sul, rumo a Lisboa (mais precisamente, à Amadora).

Mas aquele bosque, além dos tritões e outra bicharada, é também zona de pica-paus. O avô do Tomás disse-nos que ouviu um a martelar no pinheiro e que se terá escapulido à nossa aproximação. Sem dúvida que os pinheiros estavam picados pois, debaixo das suas cascas proliferam as larvas com que os meus amigos pica-paus se alimentam.

picapau-verde.jpg 

Sob as cascas das árvores, como pinheiros, carvalhos e outras, procuram os pica-paus as larvas do seu alimento

Depois, à saída do bosque, voltamos a caminhar nos terrenos agrícolas e uma ave de rapina, que se preparava para pousar num pinheiro, a nosso lado, fez uma grande algazarra por andarmos a caminhar nos seus domínios e lá foi sem me deixar fotografá-la. Também não queria nada com os paparazzi! Foi uma caminhada bonita e que nos deu motivos para virmos sentadinhos na viatura sem a chatice de termos de estar sentados. Depois de uma caminhada de mais de duas horas, soube bem sentarmos-nos e só sair à porta de casa.

Espero voltar a fazer mais uma vez esta caminhada para ter melhores conversas com os meus amigos tritões.



O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ria de Aveiro

 Quico e Ventor  05.07.2010

Podem ver aqui, no Shutterfly, numa das minhas caminhadas pela reserva de S. Jacinto, Flores da Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto


Caminhar na Ria do meu amigo Alex, é caminhar numa língua de terra entre o oceano Atlântico e uma reentrância do mesmo que entra terra dentro, desde a barra de S. Jacinto até próximo de Ovar.

Caminhar entre a Ria e o Atlântico, é caminhar numa faixa de terra encravada no mar, com uma altura de 0 a 10 mts., praticamente, sempre em torno dos 5 mts, quando a escala salta de cinco em cinco metros. É assim desde a zona de Ovar até S. Jacinto.

 

Jacinto da areia, (e o seu "Olá, Ventor"!), logo à entrada do campo dunar, ao lado do corredor de madeira que nos leva rumo à praia de S. Jacinto

Rodando, rumo a S. Jacinto, à nossa direita ficam os campos agrícolas, hortas e lavouras com alguns animais pastando ao sol e sabemos que, por detrás da linha do horizonte demarcada com algumas árvores, fica a azáfama de Neptuno, debatendo-se com as dunas e belas praias, como as praias de S. Jacinto e da Torreira. Sempre alerta, vai restolhando na areia que para ali foi empurrando durante alguns séculos, formando aquilo que podemos chamar uma costa nova. Olhando à nossa esquerda, entra terra dentro esse estreito braço de mar que parece querer afogar tudo desde a barra de S. Jacinto. É nessa língua de terra que existe a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, numa extensão de cerca de 666 hectares.


Umas senhoras chamaram-lhe, não sabemos, um responsável pela área da reserva, chamou-lhe, "assembleias". Eu vi escrito algures, "cravos da areia" mas, cravos ou não, só a energia miraculosa do meu amigo Apolo as ajuda a sobreviver em terrenos tão inóspitos

Nas minhas caminhadas pela Ria, além da belíssima paisagem do sistema de terra e de mar, ora agora mandas tu, ora agora mando eu, e da convivência com o meu amigo Alex e sua esposa, Tina, os copos e os pratos, papo cheio-papo vazio, tivemos a oportunidade, eu e o Alex, de fazermos o corredor de madeira até à praia de S. Jacinto, conviver amigavelmente com os jacintos da areia ou jacintos do mar, com outras flores que o técnico da reserva nos disse chamarem-lhe "assembleias" e com as minhas lindas rosadinhas as "silenes da areia" e mais umas outras.

Estas lindas meninas, todas elas, especialmente as rosadinhas, adoram ouvir o ruído estrondoso de Neptuno, no seu chega para lá, ao ponto de fazer estremecer  o estrado arenoso da sua vivência. Lá longe, para oeste, o meu amigo Apolo descia trombudo, pronto a deitar-se na cama fresca feita pelo nosso amigo Neptuno.



Silene da areia - uma beleza! Esta e eu vimos o nosso amigo Apolo a sorrir-nos. Ela sabe que Apolo a colocou no meu caminho para surprender o Ventor

Trombudo porque, quando de manhã me apareceu no morro da Brandoa, ali pela Amadora, vestido com cores salomónicas, sempre sorrindo, eu olhei-o pela minha varanda e lhe chamei "Kon ti-ki" como os meus amigos incas. Mas por qualquer razão, sempre que lhe chamo Kon ti-ki, ou porque a minha fonia não lhe soa bem ou seja pelo que fôr, fica sempre trombudo comigo!

Diz-me que lhe parece mal um amigo como eu, forjado nos cruzamentos das civilizações greco-romanas, usar o pomposo nome inca de kon ti-ki. Por isso fica de trombas mas não fica zangado.

Mesmo assim, lá foi gritando que colocara ali, em pleno areal, as belas flores rosadas para eu me entreter e para saber que o seu mundo continua a ser sempre belo, por onde quer que eu me encontre. Não deixando, contudo, de me pedir que deixasse de usar a linguagem do inca!

OK! Pronto, desisto!

Somos mesmo amigos! Ele já me viu furioso entre os Incas e sabendo que pouco faltou para ir tudo para a casa do diabo, mandou o meu amigo Antar buscar-me! O Antar, mais uma vez, foi a minha única saída!

 

Uma goivo da areia, já uma velha conhecida do Ventor, mas o nosso amigo Apolo quis que nos reencontrássemos em S. Jacinto

Por isso, com a ajuda do meu amigo sapiente, Apolo, vos deixo, em cima, estas belezas da Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto.


O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Um abraço ...

  Quico e Ventor 07/06/2010

... para tdos mas, especialmente, para estes que há muitos anos não vejo e outros que andam por aí.

O Abdulah, como diz o Louco da Malásia (já falei com ele ao telefone e sei onde está); e o Dantas, Pátria Portuguesa, como digo eu (desconheço o seu paradeiro).


 

Em Marrupa, no Calhambeque?

 

 

Em Marrupa 

São fotos das nossas caminhadas pelo Niassa, mais precisamente por Nova Freixo (AB 6), por Marrupa (AM 62) e Vila Cabral (AM 61).

Elas servem para aqueles que passam por aqui, recordarem.

Hello!!!!


O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

terça-feira, 15 de junho de 2010

Os Melros do Checa

 Quico e Ventor  15.06.10

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  Os Melros do Checa

Pelas vinhas do Checa, os melros vão ajudando como podem!

Constroem casas, criam família, limpam os bichos que estragam as videiras e as uvas e, como é evidente, precisam de uma paga. Ninguém, mesmo um melro, trabalha para aquecer.

 

Mas eu tenho a certeza (tenho, não tenho?) que o Checa, logo que de manhãzinha entra a observar as suas videiras, os cachinhos a crescer, a sulfatar, a tratar da vinha, tal como o meu amigo Baco fazia, faz ainda, quando um melro esvoaça à frente, ao lado, atrás, está a receber a prova que as belezas do mundo continuam por aqui e aposto que lhe saberá bem, ouvir logo de manhã, os bons dias de um melro.

 

Por isso, ele vai observando as videiras, as uvas e os melros, bem como os pintassilgos e tantos outros animais que, só para olhá-los, dá-nos mais vontade de continuar.

Eu sinto que o mundo fica em desiquilíbrio sempre que os animais vão morrendo e, mal deixo de ver o Tobias, fico logo com vontade de ir procurá-lo, não lhe aconteça como este.

Este morreu poucos meses depois de criar os filhotes que estão no rosto da Grande Caminhada. Ele aparecia-me sempre e metia-se comigo. Senti-me triste quando ele deixou de fazer parte das minhas caminhadas.

 

 
 Assim como este 
 
Mas a vida não está boa, nem para nós, nem para os melros. Por isso, o Checa sabe que os bagos de uvas que os melros lhe comem, é uma paga pela alegria de poder continuara a vê-los a fazerem parte da sua caminhada.
 
Obrigada pelas fotos dos pequenotes e não chores os bagos que te comerão mas, provavelmente, nem chegarão, na sua maioria a atingir o patamar da vida.


O Ventor e a sua amiga cegonha, 1969, em Vila Cabral

Moçambique

AB6 - Nova Freixo Vexiloide de Alexandre Magno O meu amigo de Marrupa Na rota do meu amigo Apolo...