Quico e Ventor 28.09.11
Bom dia AB6
-… --- -- -.. .. .- .- -… -….
Longa vida a todos nós
.-.. --- -. --. .- ...- .. -.. .- .- - --- -.. --- ... -. --- ...

Quico e Ventor 28.09.11
Bom dia AB6
-… --- -- -.. .. .- .- -… -….
Longa vida a todos nós
.-.. --- -. --. .- ...- .. -.. .- .- - --- -.. --- ... -. --- ...


Quico e Ventor 22.09.2011
Em 17 de Setembro, lá fomos nós, mais uma vez, a caminho de Mafra, para as vindimas do nosso amigo Checa. Rumamos de Amadora-Massamá, até ao grande Convento e aposentos de D. João V. Mas, o Convento de Mafra, é apenas, mais um marco, nessas nossas caminhadas. O Convento, o jardim das rosas, a estátua de D. João V, a estátua que homenageia a nossa Infantaria (os velhos infantes de Portugal) e, por trás, a belíssima Tapada de Mafra, onde não entro há, seguramente, 48 anos.

As uvas queriam conversar com o Ventor
Também o cafezinho das parras, já é um marco nas nossas caminhadas. Mas, não é nenhum desses marcos que nos levam a Mafra! O que nos leva a Mafra, é outro marco histórico que faz parte de um marco directo da nossa história pessoal. Um marco que alguns construíram desde a Base Aérea 2, na Ota.
Claro que, como é para trabalhar, chegamos sempre tarde! Tarde mas com a parra por companhia.
Depois o salto às outras parras, as parras do meu amigo Rui, um braço de Baco. O tirar os baldes do tractor, espalhá-los por entre a vinha, tesoura preparada na mão direita e toca a agarrar bem o cacho com a esquerda. Tricla, já está! Primeiro, segundo, terceiro e por diante. Baldes cheios e vai de levá-los para o tractor que os transportará para a Adega. Isto foi o aspecto geral da operação. Claro que comigo não foi nada disso!
Peguei a tesoura que me coube em sortes ou sorte aldrabada pelo meu amigo Checa e lá fui eu integrar-me na azáfama da vindima.

Os cachos empurravam-se para saberem se andava por ali Baco, juntamente com o Ventor
Mão esquerda no cacho, mão direita na tesoura e um corte seco scchrrr! Cacho no balde, tesoura travada. Mão esquerda no cacho, mão direita a destravar a tesoura e sccchrrr. Cacho no balde, tesoura travada, sempre automaticamente! Se fosse minha deitava-a ao poço, podia ser que daqui por milénios outros encontrassem lá um veio de metal desconhecido. Enchi o balde e desisti! Peguei na máquina e sacava cachos aos montes (podem ver neste link verde). Dediquei-me um pouco aos ninhos. Um de melros, outro de pintassilgos e, eis-me ali frente às belíssimas Casas de Irene.
Foram no tractor levar as uvas e eu e o Alex, de pata no chão, fotografamos tudo pelo caminho. Afinal, o Checa não precisava de nós para nada. Foi uma vindima meio a brincar meio a sério, para divertir o pessoal. Depois as tachadas, de coelho, de carne guisada e o velho atum de barrica à moda saloia.
Mas aprendi mais uma coisa: se pato de uma espécie, com pata de outra espécie, dão pato travesso, concluí que atum, mais barrica, dão "atumbar" travesso.

Depois de um trabalho fugidio, uns amandaram-se à carne

Outros mandaram-se ao coelho, como o Ventor e o Alex

E, outros, mandaram-se ao travesso, "atumbar" - Atum de barrica
Eu sei que, no sábado, não vou estar na verdadeira vindima, porque me iria calhar uma tesoura, travessa. E logo este ano que estou bom para trabalhar devido à ajuda do meu fisioterapeuta - o Finitro.
Mas gostei de ver todo o velho pessoal da tesoura e os pequeninos que começam a aprender, cheirando, o guloso líquido que faz as delícias de Baco e da pequenada. Quando eu era miúdo adorava o cheiro do vinho novo!
Mas, esta foi uma caminhada na continuação das nossas peugadas africanas.
Que tudo vos corra bem, na colheita deste ano, Checa, e que venhas na tua caminhada vinhateira a ensinares o Ruizinho como tens ensinado os teus filhos.

O meu amigo Brutus, como se nada fosse com ele, observa o Ventor, de perto e o maralhal de longe. Ele e a sua companheira de caminhadas, são os guardiões da vinha
_____________________________________________________________________________________________

Ventor 03.09.11
... um combatente!
Quico e Ventor 29.08.11
Como eu nunca sei a quantas ando, o meu Malmequer (a nossa princesa, recordas-te?), recordou-me, agora, que fazias anos hoje e recordou-se porque fazes anos um mês depois dela. Por isso, se o nosso amigo, Rui Perestrelo Ferreira, o nosso Louco da Malásia, fazia anos hoje e, como acredito que continuas entre nós, não fosse isso e não estaria aqui a recordar os nossos velhos tempos, aqui deixo, tal como se estivesses junto de nós, de corpo e alma, os nossos parabéns. Não estás entre nós de corpo e alma, mas a tua alma permanecerá sempre entre nós.
Permanecerá tanto entre nós, que também soube agora que a tua netinha está para nascer e, fiquei com a esperança de que ainda possa nascer neste teu dia de aniversário! Assim, nunca serás esquecido por ela e por todos os teus.
Por isso, vou fazer-te um pedido. Não chegaste a conhecer a tua netinha que vem aí mas, sempre podes aparecer junto delas e ouvires o seu primeiro gritinho. Se não tens despensa de saída, eu poderei meter uma cunha ao Senhor da Esfera e, julgo que, atendendo às circunstâncias, Ele te permitirá.
Eu sei que tu não levarás a mal, parece-me que nunca levaste e, não será agora que isso venha a acontecer.

Sempre diferentes, sempre iguais
Escusado será dizer-te que não vais esperar muito tempo por todos nós. Uns mais cedo, outros mais tarde, iremos chegando como as chuvas. Mas eu, enquanto for podendo, recusar-me-ei a partir. Não é por acaso que montei o meu cavalo, baixei o meu elmo, peguei na lança e estou no ataque. Tenho quatro cavaleiros para destroçar mas, tenho estado esquecido que os gajos estão apoiados por infantaria e eu cada vez mais só.
No entanto, a minha luta não terá tréguas. Vou tentar tudo para ser o último a chegar! Um dia, lá estarás, tu e outros, com o vosso sorriso, para nos abraçarmos.
Olá, Mena! Esperamos que tudo corra bem com o nascimento da tua netinha e muitas felicidades para todos vós.
___________________________________________________________________________________

Quico e Ventor 11.06.2011
Foi assim, como estes, que tudo começou, em Janeiro de 1966, na Base Aérea 2, na Ota. As corridas não eram na praia, mas nas estradas ou no meio do pinhal. Era asim que entrávamos na belíssima vila de Alenquer e sofriam, os olhos que nos viam correr todos encharcados em suor. O pior era dar a volta e subir rumo à Ota. Os Chariots of Fire, de Vangelis, acho que ficam aqui muito bem, enquanto deixarem, para recordarmos os tempos que tivemos naquela terrível 1ª recruta de 1966. Posteriormente, foram mais suave.
"Ninguém bebe água!"
O Major Serra o nosso Comandante da Recruta que eu encontrei muitas vezes no comboio para o Rossio, dizia-me que a nossa recruta tinha sido a pior delas todas e, como achava que era demasiado dura, teve de fazer uma exposição à Direcção dos Serviços de Saúde da Força Aérea.
Companheiros de Guerra, amigos de sempre - no AB6, em Nova Freixo: Ventor, Checa e LM.
Um amigo que nos deixou. Mais um!
O Senhor da Esfera retirou do nosso convívio, para sempre, o nosso amigo Rui Perestrelo mas ele continuará connosco.
Quando alguém parte do nosso "espaço" ou nosso mundo, para outro espaço que, julgamos, nós, ser um "espaço definitivo", o nosso espaço, e tudo o que resta desse nosso mundo, fica mais estreito e mais triste.
A Gi, a nossa amiga Gi, o meu malmequer, continuará sempre a sorrir a teu lado. Ela chorou e quis arriscar ir dizer-te adeus. Eu é que não deixei. Nesta foto, só eu sei como ela estava doente, mas junto de ti e dos nossos amigos, ela arranjava sempre forças para nos animar
Mais triste, ainda, quando tivemos tempos de glória. Tempos de tristezas, tempos de alegrias mas, também, tempos de glória! Eram os tempos dos sonhos, os tempos em que não era proibido sonhar. Todos nós tivemos os nossos sonhos. Eram sonhos de esperança! A esperança de regressar, de voltarmos a estar com os nossos, a nossa família, os nossos amigos, os nossos cães, os nossos gatos, as galinhas, ... as namoradas ...
Tu também já estavas doente e bem doente, mas tentavas sempre partilhar as tuas alegrias e não as tuas tristezas.
Mais tarde, após essas caminhadas de sonhos, do refazer das nossas vidas, voltamos a caminhar juntos, por grupos. Por aqui, por ali, havia de quando em vez, há, ainda, um grupinho, aqui ou ali, a tentar não deixar morrer esses tempos que por bem ou por mal, marcaram as nossas vidas, as vidas de todos nós. Eu falo pela malta do AB6 e dos seus tentáculos, os AM's (aeródromos de manobras), Marrupa e Vila Cabral. A malta da "guerra" do Niassa. A nossa malta da Força Aérea mas, também tenho, num recanto do meu sótão, os nossos companheiros de outras armas, como a tropa do Exército dos Comandos dos Sectores Alpha e Echo de Vila Cabral e de Marrupa, espalhados por muitos locais daquele belo território do Niassa, bem maior que Portugal. Talvez este nosso Portugal e próximo de mais meio. Também recordo os nossos companheiros da Marinha baseados em Metangula, no lago Niassa e de um ministro de Charles DeGaule, creio que o Schuman, dizer que só uma vontade férrea como a dos portugueses seria capaz de colocar aqueles instrumentos bélicos da Marinha, no Lago Niassa.
Nunca esqueceremos os belos dias em que foi possível partilharmos as alegrias de outrora e relembrar amigos não presentes, como o Checa, então no Hospital de Oncologia, por onde eu passei para levar o seu abraço. Ele e outros, longe, mas sempre presentes
Depois, mais tarde, com a chegada do 25 de Abril, tivemos saudades de nos voltarmos a encontrar uns quantos nas almoçaradas. Ainda houve uns belos almoços, como aquele da Golegã, no tasco do nosso amigo Tschombé do qual nunca mais soubemos nada. Alguém sabe do Tschombé? Ninguém sabe nada!
Mais um adeus de despedida, ao fim desses dias inesquecíveis de caminhadas sem fim. Tudo o que é bom acaba depressa e, agora, contigo, não haverá mais, embora, eu acredite que estarás sempre presente,
Mais tarde sumimos alguns. Uns partiram para a estranja, outros espalharam-se por aí a tratar da vida e perdemo-nos. No nosso pequeno grupo de amigos, houve dois que não quiseram dar-se por vencidos. O nosso amigo Rui Perestrelo e o nosso amigo Rui Bernardino que, na prática, nunca se perderam. Os companheiros de guerra, nunca se perdem porque eles, estão sempre presentes no nosso cérebro. Nós tropeçamos uns nos outros e não sabemos quem somos porque a imagem tem influência e muita! Os putos das fardas do "café com leite", leves como plumas e rápidos como raios, todos aqueles de há cerca de 40 anos, nunca mais os esquecemos. São essas as imagens que temos nas nossas cabeças. Mas, à nossa frente, hoje, aparecem uns "calhambeques" desarranjados, mais ou menos abarrigados, tal como eu e, salvo raríssimas excepções, ainda verificamos que, dentro daquele invólucro transformado, está um nosso amigo de tantos anos. Há também os que mudaram pouco! Ontem observava o Madruga debaixo daquela cabeleira branca, caída sobre os ombros mas, dentro do invólucro e debaixo da cabeleira, estava o nosso amigo Madruga tal e qual como ele era. Estava ali a sua alma de tantos anos para trás. Tal como o Rui Madeira, o Simões, ... todos! Acho que nenhum de nós vendeu a alma ao diabo. A nossa alma é, exactamente, como era nesses tempos.
Nunca mais teremos dias como esses, juntos, na Ria, com a hospitalidade dos amigos Alex e Tina
Tudo acaba! As caminhadas acabam e recomeçam sempre até à caminhada final que todos teremos. Mas, aqui, na Ria, tal como em Nova Freixo, em Marrupa e em Vila Cabral, mais uma vez estivemos os três juntos. Longe da guerra, mas juntos
Só que, ontem, foi um dia triste! Não foi dia de galhofas, de brincadeiras, como de costume. Foi o dia em que o nosso amigo Rui, o nosso grande amigo a quem desde a Base da Ota, sempre, na brincadeira, chamávamos o Louco da Malásia, despediu-se de nós e nós dele. Eu sei que ele vai continuar a viver connosco! Ele estará sempre a nosso lado, nas suas eternas brincadeiras. Quando ele descobriu que eu ainda existia, voltou a tentar tudo para me encontrar. Pedi a outro para lhe dar o meu número de telefone e, logo de seguida, o telefone tocou e ele, impávido e sereno, do outro lado, disse apenas isto: "cacei-te"!
Foram dias cheios com as olhadas para o passarinho que te manterá sempre junto de nós
Ele sentia uma grande alegria quando nos via juntos. Não me esqueço da alegria que ele sentiu do nosso primeiro encontro, em Alfundão, quando quis ligar para o outro amigo lá para o fundo de tudo - Maputo! Os nossos amigos estão em todo o lado! "Telefono-te, pá, só para te dizer que também estás aqui. Estás aqui connosco. Diz lá bem alto: «Bom dia, Alfundão»! Era a amizade pura do nosso Louco da Malásia! Fico com a sensação que ele se quis despedir de nós! Mas não consegue porque ele vai ficar sempre connosco! Ontem abri um espaço, ainda maior no meu coração, para Alfundão e Ferreira do Alentejo. Por lá ficou pairando sempre, o nosso amigo "Louco da Malásia" e, sonhando com o passado, caminharei, sempre, no presente, por essas belas terras do Alentejo.
Estaremos sempre contigo no coração, Rui! Eu sei que, o Senhor da Esfera, vai ter de continuar a partilhar-te connosco.
O "batalhão" de passarinhos que nos vão observando sempre e partilhando das nossas alegrias e tristezas e que acredito, nunca se deixarão de perguntar como é possível tantos anos depois, vivermos a amizade de tantos anos atrás, como se fosse ontem.
Faltam as fotos Sumiram!
___________________________________________________________________________________

Quico e Ventor 24.04.11
Uma Páscoa de 2011, com muitas amêndoas para todos os meus velhos amigos conhecidos e para os novos do Facebook. Para todos vós! Esta noite lembrei-me das minhas três amêndoas, na Páscoa de 1968, em Marrupa. Duas brancas e uma rosa ou duas rosas e uma branca.
A minha companheira de muitas caminhadas, tirou o pacote, abriu-o e colocou as amêndoas dentro deste brinquedo de vidro a que chamam taça. Pedi-lhe para tirar três e saíram uma de cada côr. Uma branca, uma rosa e uma azul. Disse-lhe para tirar a azul e colocar outra branca ou rosa. Em Marrupa de 1968 não me tocou nenhuma azul porque não havia.
Tirou as três amêndoas, deu-mas para a mão e eu coloquei-as numa tacinha.
Tira daqui, põe ali e ficaram separadas.
Depois, meti-as noutra taça mais pequenibha.
Por fim, ficaram as duas tacinhas sobre a mesa.
Na taça com mais amêndoas era uma gritaria. Choravam por verem partir as três amiguinhas para serem devoradas mas elas ficaram contentes e cantavam cheias de alegria. Eu não percebia porquê mas, disseram às outras para não chorarem que eram felizes e teriam o privilégio de serem as preferidas do Ventor.
Amanhã, a seguir ao almoço, trincarei essas três e recordarei todos aqueles que se encontravam comigo no "DESTERRO" do norte de Moçambique, centro do Distrito do Niassa. Um DESTERRO, chamado Marrupa, rodeada por "montes da perdição". Ali, sempre que fôssemos longe, nunca regressávamos com bússola. Estava sempre avariada! Mas, para todos os que lá estivemos, terá sido uma terra linda e digna da nossa presença.
Belos tempos!
Tal como em 1968 .... para todos os Duros do Niassa e, também, para todos que caminham pelos meus Blogs e para os meus amigos do Facebook, todos sem excepção ...
UMA PÁSCOA FELIZ PARA TODOS VÓS

Quico e Ventor 01.03.12
A minha caminhada africana não se resume à minha estadia de 26 meses no Norte de Moçambique. Não se resume às caminhadas ao lado do rio Lúrio, do rio Messalo, voando sobre o rio Lugenda ou, ao lado do Rovuma;
das minhas caminhadas por Nova Freixo, pelas lânguas de Marrupa, ou em redor de Vila Cabral.
A minha caminhada africana é muito mais longa que essas caminhadas cinegéticas ou dos meus crosses nas pistas da Força Aérea, de Nova Freixo, de Marrupa e de Vila Cabral.
A minha caminhada africana completa-se com uma caminhada, bem longa, antes de chegar lá, e muito mais longa, depois de sair de lá! E, tal como o escritor francês, cujo nome não recordo (não é o Emile Zola), eu posso dizer: J'Acuse"!
Eu acuso o mundo de se esquecer de África! O mundo que só sente os interesses da África, quando sentem que estão lá os interesses deles. Eu acuso todos os que abandonaram a África! Não os que a abandonaram porque tiveram de fugir, porque foram obrigados a fugir, mas todos aqueles que estiveram nos princípios da fuga! E não me refiro apenas aos portugueses que não souberam resolver os problemas que lhe competiam, sobre a África de que fazíamos parte mas, a todos que não souberam olhar pelos interesses da África de norte a sul!
África, onde o povo, para além das misérias causadas pelas guerras, também canta e dança
Eu acuso todos os países que podem e que não tentam fazer mais pela África!
Dito isto, apenas vos digo que tento caminhar sempre, ao lado da África, que voltarei a caminhar com todos os africanos, uma nossa caminhada virtual, muito especial e não apenas com a minha gente de Moçambique, de que nunca me esqueço, mas com toda a gente de África que trabalha, canta e dança, dentro e fora das suas machambas, de norte a sul do continente.
Recordo sempre aquela moça negra que foi obrigada a partir de cá para Moçambique, porque a vida correu mal à sua família e não lhe podia dar tudo o que ela desejava (apenas os estudos - 1970) e como ela gostava do seu Portugal (o puto) e do seu Moçambique e, recordo o seu choro no Aeroporto da Portela, então, virada para trás, olhando a varanda e os muitos amigos que lá tinha, de costas para o avião, gritando: "Ventor, nunca te esqueças do nosso Moçambique"!
Passaram 42 anos e nunca mais esqueci! Não esqueci, Rute! Não esqueço a volta que a tua vida levou no tão pouco tempo que te conheci! E nunca esqueci o "nosso" Moçambique! Nunca esquecerei o "nosso" Moçambique! Moçambique também é meu Rute! Fui sem ele, mas trouxe-o comigo.
![]()
Este é o local onde nos dizem que fica o berço da Humanidade com cerca de 4 milhões de anos
Mas, voltando a África, recordo-me que volto ao berço! Pelo menos, em sentido figurado porque, eu, não sou daqueles que acreditam que todo o mundo nasceu nos desfiladeiros de Olduvai ou arredores! Não vejo porque um sítio que, por bondade da Natureza, nos mostra com mais facilidade o homo erectus e nos faz rechaçar para segundo plano outros que especialistas, também, bem intencionados vão descobrindo aqui e ali, por esse mundo fora. Antes das ossadas do homo erectus, apareceram as ossadas do Hiperião, um cavalo que terá vivido desde os tempos do Mioceno ao Pleistoceno e que seria semelhante ao Mercychippus, outra beleza de então, também cavalo, descoberto no Nebrasca.
Não vou em teorias, que pretendem fundamentar com ossadas mas, também não deixo de reconhecer que as descobertas se fazem transpirando. Seja como for, posso deixar aqui que, segundo os especialistas do início do séc. XX, o desfiladeiro de Olduvai, era um lugar que se previa ideal para investigar o que saísse de sob aquelas camadas sedimentares. Transformações geológicas teriam dado origem a uma falha, há 500.000 anos, que desviou o curso de um pequeno rio e transformou toda aquela área. Ali foram descobertas ossadas de omídios e seria um elo entre o Australopitechus afrerensis de cerca de 3.2 a 4 milhões de anos e o Australopitechus africanus, datado entre 2 e 3 milhões de anos.
Mas há muito para falar de África, dos seus desfiladeiros, dos seus rios, das suas savanas, das suas montanhas, dos seus desertos, das suas florestas e das suas gentes. Tentarei ir brincando com tudo isso, por aqui.

Um dos meus amigos Moçambicanos. Uma espécie de corvos que, em tempos, me disseram que Moçambique os importou da Austrália para limparem as florestas. Verdade? Não sei! Mas eu acreditei em quem mo disse. Gostava de os ver, ao romper do dia, correrem atrás das ratazanas rumo às sargetas, no AB6 - Nova Freixo
_____________________________________________________________________________________________

AB6 - Nova Freixo Vexiloide de Alexandre Magno O meu amigo de Marrupa Na rota do meu amigo Apolo...