terça-feira, 14 de setembro de 2004

Subi ao navio Niassa

   Ventor 11.09.04

O Cristo Rei, como sempre, abraçava todos
Naquela situação todos os olhos marejam. Do seu semblante triste saíram as seguintes palavras: "veja se consegue saltar por aqui meu rapaz"! Fitei-o nos olhos, coloquei a mão sobre o último tubo cilíndrico e todos se encolheram enquanto eu formei um salto apertado, fazendo girar as minhas pernas bastante encolhidas para o lado oposto.

A aglomeração do lado da Rocha Conde de Óbidos era enorme e, ao chegar ao convés, reparei que muitos choravam de braços no ar, acenando com os bonés, num adeus que parecia não ter fim. Em terra, a multidão era ruidosa. Pousei as malas aproveitando para descansar e resolvi, do cimo das escadas, dizer um último adeus a todos aqueles que se foram despedir de mim, pois sabia onde estavam e, mais uma vez, olhei a gente junto ao gradeamento que me voltou a dizer um adeus arrepiante. Eu fiquei com a sensação de que toda a minha gente se instalara ali, ou então, toda aquela gente era uma imensa extensão de um adeus cheio de imprevisões. Mas não! Todos eles sabiam que eu passara ali como que perdido no meio da multidão e eles adotaram-me como um dos seus.

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Rihana - Moçambique

Rihana, em Moçambique. Um povo que canta e dança pode ser feliz. Porque Moçambique não é? Eu sei mas não vos digo!