Ventor 11.09.04
No dia 4 de Janeiro de 1968, aí da Rocha de Conde de Óbidos, no rio Tejo. O rumo, era Moçambique, África Oriental a beijar o oceano Índico.
Era esta a imagem que eu tinha na cabeça. Desceria o Atântico, entraria no Índico, subiria o Canal de Moçambique e iria parar à baia de Fernão Veloso, em Nacala. Depois seria uma bela caminhada por via férrea para o Niassa. Passaria por Nampula e Nova Freixo seria o primeiro destino
A Mariam Makeba, chegaria mais tarde
Estávamos no Inverno de 1968, precisamente, no dia 4 de Janeiro. Era um dia de Inverno, mas estava lindo. O céu estava azul, o rio Tejo imitava-o, as Tágides tinham dormido bem e o meu amigo Apolo brilhava!
Eu saí da zona do Chile, em Lisboa, num táxi, rumo à Rocha Conde de Óbidos onde tinha um encontro marcado com o destino. Quando cheguei, já lá estava muita gente de cara triste. Os militares que iam embarcar no Vera Cruz, rumo a Angola, já tinham destroçado da formatura e já subiam as escadas do barco. A algazarra era enorme! Eu saí do táxi, paguei, peguei nas minhas duas malas e fui-me chegando para o Niassa que estava mesmo ali, em frente do edifício da Rocha Conde de Óbidos. Junto ao Niassa, encontrei os meus companheiros de caminhada da Força Aérea que num grupinho assistiam à formação dos militares do Exército e pedi a um deles, um algarvio, se calhar, descendente longínquo de um qualquer Mohamed (olá amigo Fernandes), para me guardar as malas e me esperar, enquanto eu ia procurar alguns amigos que não tinha encontrado.
O clarim toca a destroçar e, enquanto o Vera Cruz acorda o Tejo com três apitos de alta sonoridade e larga ferros com cerca de 2.000 homens a bordo, eu olhava aqueles que iam ser meus companheiros de viagem, com um semblante enfeitado de uma terrível tristeza. De repente, o Vera Cruz que não se fez rogado, avançou Tejo abaixo e o Niassa aguardava a sua vez.
A seguir: Perdido na multidão
Aantes: Mensagem do Quico



